Twisted Sister: 'Detonar sempre, e no Brasil mais ainda', diz Dee Snider

Estadão

07 de abril de 2013 | 07h26

da equipe Combate Rock

A credibilidade dos produtores brasileiros sofreu menos do que se esperava com o fiasco do Metal Open Air, no maranhão, no ano passado. Menos de um ano depois do problemático festival, o Live’n’Louder retorna para colocar as coisas no lugar e com atrações de peso para o evento do dia 14 de abril, em São Paulo: Twisted Sister, Metal Church e Loudness, entre outros.

Prestes a embarcar em sua terceira turnê Sul-americana [um feito considerável, levando-se em conta que a primeira ocorreu em 2009], o vocalista do Twisted Sister, Dee Snider, concedeu uma rápida entrevista à equipe de produção Top Link, empresa que organiza o evento e que comemora 25 anos de atividades, conduzida por Nando Machado, do Wikimental, com pauta e pré-produção de Nacho Belgrande:

Hey Dee, obrigado por falar conosco. Permita-me começar dizendo que eu estava no primeiro show do Twisted Sister no Brasil, em 2009, e por muito poucas vezes testemunhei uma plateia tão satisfeita. Todos nós sabíamos que a banda iria desempenhar muito bem seu papel, mas vocês quase derrubaram a casa – naipe Hammersmith de Londres. Alguma lembrança daquela primeira viagem a São Paulo?

Dee: Uma coisa da qual me lembro quando estive pela primeira vez no Brasil era o volume da plateia e o olhar naqueles rostos, porque o público foi uma das plateias mais altas que eu já ouvi e eu me lembro de olhar pro Paulo [referindo-se a Paulo Baron, proprietário da Top Link, uma das maiores produtoras de shows da América Latina e a primeira – e única – a trazer o Twisted Sister para tocar no Brasil] e ele nos queria lá, ele sabia que havia interesse, mas eu acho que ele estava chocado com o quão animados os fãs brasileiros estavam por ver o Twisted Sister.

O Twisted Sister se destacava das demais bandas de hard rock/metal de sua época, principalmente porque a imagem da banda era associada mais com violência e território de gangues do que sexo e drogas. Vocês nunca pareceram se importar com a imagem de astro do rock mimado tampouco. Isso era natural, vocês tiveram algum aconselhamento por parte da gravadora sobre isso, ou aquilo era uma resposta à cena demasiadamente artificial de Los Angeles?

Dee: Sim, nós somos de Nova Iorque e lutamos pra subir, não existia o Hair Metal, não havia cena de Los Angeles. Isso veio depois; o Twisted Sister foi antes de tudo aquilo. Eu sempre achei que as bandas de Los Angeles tentavam imitar a postura nova-iorquina, e somos nova-iorquinos da gema, então nós temos essa postura naturalmente. Então não era algo que planejamos. É simplesmente natural pra nós.

Você, especificamente, era tido pelos pais de todo o mundo como o embaixador de Satã na Terra até 1987, por aí. Até onde eu consiga ver, o elemento de rebeldia e agressividade e perigo no rock está bem por dizer morto. Você acha que a indústria pasteurizou esse conceito, ou as próprias bandas se açucararam e ficaram mais propícias para tocar nas rádios e aparecer na [revista] People de modo a conseguirem um contrato?

Dee: Eu acho que as bandas fizeram isso consigo mesmas e as gravadoras as encorajaram. Elas viram que se as bandas sorrissem e fossem felizes – na verdade há uma banda chamada Happy Metal – elas poderiam colocar o disco à venda em mais lugares e apelas pra mais gente, para um público mais mainstream. Então elas começaram a encorajar as bandas e assinar com bandas que eram bandas de Happy Metal. Daí, lá pelo fim dos anos 80, era difícil achar muita atitude. Tendo dito isso, veio o GUNS N’ ROSES, e eles tinham muita atitude. Mas o que aconteceu com todas aquelas bandas de Happy Metal é que os jovens frustrados e com raiva ainda precisavam de uma válvula de escape, ainda precisavam de uma música que expressasse os sentimentos deles e chegou o hip hop com aquela raiva e aquela frustração e aquela postura ‘vai se fuder’. E muitos dos fãs de Metal, acho que os não tão leais, migraram para o hip hop. Eu acho que eles encontraram a música que expressava seus sentimentos de uma maneira melhor e isso ajudou a matar o Heavy Metal no fim dos anos 80 e começo dos anos 90.

O Twisted Sister sempre foi conhecido por incitar a plateia até o limite, e você é um grande mestre de cerimônias. Vindo para a América do Sul e seus fãs altamente zelosos mais uma vez, você consegue se lembrar de alguma ocasião na qual achou que a plateia ia fugir ao controle?

Dee: Bem… fora de controle. Eu com certeza me lembro de algumas ocasiões nas quais a plateia saiu de controle, quebrando coisas e destruindo o lugar e vandalizando. Mas eu sempre desencorajo isso, porque isso só resulta em não deixarem o Twisted Sister ou outras bandas de Metal tocar naquela casa. E esse não é meu objetivo, meu objetivo não é fazer com que as pessoas destruam coisas, meu objetivo é fazer com que as pessoas liberem sua raiva e frustração e hostilidade numa maneira que eu considero positive. Ao invés de socar a cara de alguém, mande seu punho pra cima, saca? Essa é a beleza do Metal, não importa o quão bravo ou puto com o mundo eu estivesse, eu balançava a cabeça até suar e me sentia bem depois. Então sim, eu já vi uma plateia fugir ao controle, mas naquele momento eu com certeza tento… eu já parei shows muitas vezes, tipo ‘Wow, o que caralho vocês estão fazendo? Não destruam a casa, nós precisamos de um lugar pra tocar, seus cuzões’ e todo mundo ri e para, entende?

Dentre as bandas com as quais você vai tocar no Live N’Louder no Brasil – o Loudness do Japão, Molly Hatchet, Metal Church e Sodom, há alguma com a qual você já tenha tocado antes ou possua um disco?

Dee: Nenhuma dessas bandas que você mencionou, que eu saiba, já tocou ou gravou conosco, eu sei que não gravei nada com nenhuma delas, mas toquei com elas, eu não sei. De vez em quando você tem esses festivais grandes, eles duram três ou quarto dias e há tantos palcos, e até onde eu saiba, o Loudness e o Sodom, tenho quase certeza que o Sodom estava em um desses palcos, mas eu não me lembro de ter encontrado eles ou feito um show no qual você realmente soubesse algo do tipo ‘Hey, eles vão abrir pra gente’, ou ‘estamos juntos na coxia’.

Nos últimos dois anos, houve bastante lançamentos do Twisted Sister, relançamentos, DVDs ao vivo, um livro, etc. Há algo mais sendo preparado – ou escondido no baú, aproveitando o ensejo?

Dee: Eu não acredito no tanto de coisa que continua saindo. Isso é coisa do Jay Jay French e do Mark ‘The Animal’ Mendoza, Jay Jay é empresário da banda e eu tenho muito pouco a ver com a banda no departamento de negócios, então eu fico surpreso com algumas das coisas que eu nem sabia que havia câmeras gravando lá. Eu via imagens de um festival e pensavam ‘puta que o pariu, estavam filmando a gente?’ Então quem é que sabe o que esses caras estão achando e descobrindo e elaborando e tramando? A única coisa pela qual eu sou responsável é o livro e foi um livro só meu, eu o escrevi sozinho e não teve nada a ver com a banda. Mas eles foram fundo com algumas coisas muito boas na verdade, então é legal.

E eu li que você está terminando um segundo livro, é verdade?

Dee: Não. Outra pessoa me disse isso. Teve um guia de sobrevivência para adolescentes nos anos 80 e agora tem o ‘Shut Up And Give Me The Mic’, que saiu ano passado e começou a ser traduzido no ano passado pra outros idiomas, pro alemão, com esperança será traduzido por português em algum momento, de modo que o povo do Brasil possa ler minha história. Então, eu não tenho planos no momento de fazer isso. Eu faço tanta coisa, entende? É isso que pega, o Twisted Sister é um hobby pra mim agora, eu faço radio e televisão e cinema. Eu escrevo roteiros, eu sou um produtor. Agora eu escrevi um musical baseado na música do Twisted Sister, e nosso álbum de Natal, eles estão em pré-produção na Broadway no momento. Não o Twisted Sister, eu e os produtores. Eu estou envolvido em vários projetos diferentes. O Twisted Sister é ótimo porque eu sou como um cara que sempre dá uma de vez em quando; e quando ele faz isso, é sempre ótimo, e ele fica muito excitado em fazê-lo. Daí, eu vou pro Brasil e não tocamos faz meses, e eu penso, ‘Ah sim, isso é ótimo!’ e é fabuloso. Ao invés de ser apenas mais um show em meio a centenas de shows que fazemos por ano, é um de uma dúzia ou duas dúzias de shows que fazemos por ano. Então estamos muito felizes por vermos uns aos outros, estamos felizes por tocar, estamos empolgados em fazer o show e vamos detonar com a porra do Brasil.

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