Triumph tem discografia reeditada por gravadora italiana

Estadão

23 Abril 2011 | 16h20

Marcelo Moreira

Um trio de rock canadense de muito sucesso nos anos 70 e 80, mas que sempre teve um certo "complexo de inferiordade" em relação aos rivais da mesma cidade. Este é o Triumph, grupo de hard rock que, apesar de ser excelente, sempre esteve à sobra do Rush, mas que terá a sua discografia reeditada pela gravadora italiana Frontiers.

Enquanto o Rush completa neste ano 40 anos de atividade e continua venerado em vária partes do mundo, o Triumph pena para voltar à ativa 17 anos após a separação do trio original.

O retorno foi tentado em 2008, com uma pequena turnê pelos Estados Unidos e uma apresentação que deveria ser o ponto do Sweden Rock Festival, hoje um dos principais da Europa. Este show, no entanto, foi bem morno, o que acabou por influenciar na decisão de tocar pouco no ano seguinte.

Com o lançamento no ano passado do álbum "Greatest Hits - Remixed", o guitarrista Rik Emmett anunciou que ele e os colegas - Gil Moore (vocal e bateria) e Mike Levine (baixo e teclados) - estudam a possibilidade de aceitar uma proposta de uma turnê conjunta com o Van Halen pela América do Norte em 2011. Seria uma turnê dos sonhos de muita gente.

Enquanto a confirmação de nova turnê não vem, os fãs que acharem a nova compilação apenas um caça-níquel - o que realmente é, na verdade -, pode se deliciar com dois DVDS fantásticos do Triumph que voltam às lojas virtuais norte-americanas neste ano.

"Live at US Rock Festival 1983" retrata uma apresentação na época é era tida como o auge criativo e de performance do trio, que foi a atração principal de um dos dias decidicados ao heavy metal. Foi lançado originalmente em 2003, em duas versões: somente em DVD e em um pacote com CD e DVD.

"A Night of Triumph", de 2004, traz o grupo mais maduro e mais "adaptado" ao mercado da época, que investia pesadamente no hard rock festivo (farofa, como se dizia no Brasil).

 A apresentação ocorreu em 16 de janeiro de 1987 na cidade canadense de Halifax e mostra os três, acompanhados pelo guitarrista de apoio Rick Sanders, em um show impecável do ponto de vista musical, mas soterrados por toneladas de efeitos sonoros, visuais e de iluminação, em fragrante contraste com o show do US Festival. De qualquer forma, ambos são imperdíveis.

Mais novidades nem tão novas

A Frontiers, importante gravadora italiana, anunciou que a reedição oficial dos 10 clássicos álbuns do trio. Estão no pacote os seguintes álbuns:

* In The Beginning (1976)
* Rock and Roll Machine (1977)
* Just a Game (1979)
* Progressions of Power (1980)
* Allied Forces (1981)
* Never Surrender (1983)
* Thunder Seven (1984)
* Stages (Live) (1985)
* The Sport of Kings (1986)
* Surveillance (1987)

Todos os CDs foram remasterizados e contém um extenso livreto incluindo letras. Em complemento, a Frontiers editará um limitadíssimo box edição de colecionador intitulado “Diamond Collection”, trazendo todos os 10 álbuns em réplica de vinyl, incluindo a arte gráfica original.

Baterista cantor

A curiosidade que merece ser destacada em relação ao trio é que Gil Moore é de longe o melhor baterista-vocalista do rock. Afinado e com voz potente, conseguia aliar uma performance muito boa na bateria e e destacada nos vocais, que dividia com Emmett.

Surgido em 1975 na onda do hard rock emergente daquela década, pegou carona no sucesso do Rush, que já preparava a sua transição de banda com som calcado no Led Zeppelin e no Queen para o rock progressivo - fato que catapultou o grupo ao estrelato.

O Triumph, por sua vez, tentou trilhou o mesmo caminho do Rush, mas com certo atraso - o que náo impediu o sucesso quase instantâneo de seus dois primeiros álbuns "Triumph" (1976) e "Rock and Roll Machine" (1977). 

Mesmo assim, Emmett, Moore e Levine nunca perderam o Rush de vista. Até se consideravam um grupo de "rock progressivo pesado", uma mistura de Who com Emerson, Lake and Palmer.

O sucesso que faziam era avassalador na Amércia do Norte, principalmente com seus dois melhores trabalhos, "Progressions of Power" (1980) e "Allied Forces".

Só que, nesta mesma época, o Rush vinha de uma sequência absurda de trabalhos excelentes - "A Farewell to Kings (1977), "Hemispheres" (1978), "Permanent Waves" (1980) - até desembocar na obra-prima "Moving Pictures" (1981).

Os integrantes do Triumph admitiram que teriam mesmo de fazer o hard rock de arena, festivo, para alcançar e manter o estrelato. Foram muito bem-sucedidos, mas viam de longe o Rush se estabelecer como uma das grandes bandes do rock de todos os tempos.

Seja como for, o trio do Triumph entraram de cabeça na mania do hard rock californiano e seus excessos, ao menos nas apresentações, enquanto os álbuns dos anos 80 foram ficando cada vez mais sofisticados e intrincados, fugindo de suas características. Ganharam fãs mais novos, mas perderam os tradicionais.

As indefinições criativas acabaram causando tensão entre os amigos, até que finalmente Rik Emmett decidiu sair em outubro de 1988.

Moore e Levine seguiram adiante, mas deixaram o grupo de molho até 1993, quando ressurgiram com um novo guitarrista, Phil X (Phillipe Xenidis) e lançaram o excelente "Edge of Excess", que infelizmente passou despercebido, o que decretou o fim do trio.

Enquanto Rik Emmett construiu uma ótima carreira solo, passeando por blues, jazz e ritmos celtas, Gil Moore virou empresário e construiu  Metalworks Studios, o maior e melhor complexo musical e de gravações do Canadá, virando referência mundial. Mike Levine tornou-se um renomado produtor e um empresário ligado ao hóquei no gelo.

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