Tributo aos Irmãos Cara de Pau: ‘A boa música não morre’

Estadão

23 de maio de 2012 | 22h00

PEDRO ANTUNES

Ray Charles, Aretha Franklin, James Brown, entre outros grandes nomes do soul, R&B e funk, eram ofuscados por uma então nova onda musical que tomava as paradas de sucesso. Em 1975, a disco music tomou tudo de assalto nos Estados Unidos, com Donna Summer, KC & the Sunshine Band, Gloria Gaynor, Abba, Bee Gees. O filme Os Irmãos Cara de Pau (cujo título em inglês é The Blues Brothers) veio em 1980 para tentar consertar isso. Colocou os mitos da black music de volta ao mapa – todos eles participaram do filme, aceitando de imediato o convite, como contou o diretor John Landis, ao JT, em julho do ano passado.

É preciso entender o que o filme fez e seu reflexo na música atual, para perceber sua importância. “Esse filme realmente reinventou os artistas. Se hoje ouvimos novos músicos cantando blues, soul e R&B, é porque Os Irmãos Cara de Pau resgatou esse espírito”, diz Brad Henshaw, produtor, ator e cantor inglês, que traz o espetáculo The Official Tribute To The Blues Brothers – The Smash Hit, ao Via Funchal, de hoje a sábado. São seis cantores e uma big band com 17 músicos para tocar clássicos do soul, blues e R&B ressuscitados no filme.

Henshaw assina a direção, a produção e ainda interpreta o protagonista Jake Blues, vivido pelo fanfarrão John Belushi (morto em 1982, vítima de uma combinação de cocaína e heroína). O show existe desde 1991 e, por onde passa, faz com que o público saia dançando e cantarolando. Na entrevista, Henshaw explica a força do blues, do filme e, claro, do show.

Espetáculo "The Official Tribute To The Blues Brothers - The Smash Hit", que entrará em cartaz no Via Funchal (Crédito: Divulgação)

O espetáculo começou em 1991. Como resiste ao tempo, sem parecer repetitivo?

O show começou em Brighton, na Inglaterra, mas era diferente. Não era nada demais. Era um show, sem grandes atuações. Mas, aos poucos, os produtores foram percebendo que havia potencial para ser maior que isso. Foi crescendo entre 1991 e 1993, foi até a Austrália. Aliás, sabia que Russell Crowe interpretou Jake Blues, o personagem de Belushi, lá?

Russell Crowe, de Gladiador (2000). Esse Russell Crowe?

(Risos). Sim, é verdade. Eu cheguei ao show em 1994 e, no ano seguinte, comecei a escrever algumas coisas. Achei que deveria ter algumas mudanças. Foi em 2005 que virei produtor e diretor. E vivo Jack Blues também.

Como vê a receptividade do público para um show baseado num filme cult, sim, mas com 32 anos de idade. Não teme que fique datado ou nostálgico?

Olha, até pouco tempo, não tínhamos ido para os Estados Unidos. Comecei a escrever para esse show porque conhecia o filme, conhecia esses músicos de blues. Fomos para Chicago (cidade que colocou mais barulho no Blues do Delta do Mississippi), ficamos lá por oito semanas. E acabamos de passar por uma turnê exaustiva pela América. Em quatro meses, fomos de Los Angeles (extremo oeste dos EUA) a Nova York (extremo leste). Tocamos para 10 mil pessoas em Houston. A boa música não morre. O soul, o blues e o R&B continuam por aí, no rap, no rock, no hip hop. Os Blues Brothers reinventaram o blues e disse para as pessoas: “Não se esqueçam deles”. É isso que queremos mostrar nesse tributo a eles.

Você interpreta um personagem que era vivido pelo John Belushi. Tudo fica mais difícil, por causa das comparações?

Muito mais difícil! Ele era um ator incrível. Belushi tinha muito para dar, mas sua vida pegou um atalho e ele entrou para a família de John Lennon, Jimi Hendrix. Era um personagem complexo. Cheguei a conversar com a mulher dele para tentar entender mais quem ele era, para depois me aprofundar no personagem. Belushi parecia simples na superfície, mas era muito sensível.

 

Você falou que o show deveria ter algumas mudanças. O que você mudou, por exemplo?

Bom, o filme é cult, não só no Brasil, como na América e em todos os lugares que fomos. Mas são poucas as pessoas que sabem que os Blues Brothers eram uma banda, eles lançaram vários discos (11, no total). Queria que esse material estivesse no show. Que fosse como se os Blues Brothers, a banda, tomassem vida no palco.

Então, qual é a sua maior preocupação no palco: soar fiel ao filme ou aos artistas originais?

Temos de ser os melhores, sempre. É simples como isso. Sabemos que, quando alguém vai ao teatro, essa pessoa quer ter um bom divertimento. Quando não gosta do show, vai para casa pensando que gastou seu dinheiro com uma bobagem. Sei que as pessoas gostam de música. E é o que damos para ela. Aqui no Brasil, é assim também. A cultura brasileira é cheia de música, grandes artistas se apresentam aqui. Por isso, daremos o nosso melhor.

Você nasceu em Birmingham, certo? Como conheceu o soul e o blues?
Eu tinha os Rolling Stones, cara!

Em entrevista ao JT, John Landis, diretor do filme, disse que a música atual é tão cheia de referências ao blues, soul e R&B por causa do longa, que resgatou gente como Ray Charles e Aretha Franklin do ostracismo. Concorda com ele?

Você entrevistou o John Landis? Parabéns (risos). Falando sério, acho que ele está certo. Esse filme realmente reinventou os artistas. Se hoje ouvimos novos músicos cantando blues, soul e R&B, é porque Os Irmãos Cara de Pau resgatou esse espírito.

DIVIRTA-SE
The Official Tribute To The Blues Brothers – The Smash Hit
Rua Funchal, 65, Itaim Bibi. % 3846-2300.
Temporada de hoje a
sábado, às 22h.
Ingressos: R$40 a R$ 250.

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