Transatlantic, a nata do rock progressivo atual

Estadão

20 de setembro de 2010 | 08h12

Marcelo Moreira

Ceticismo faz parte da vida, principalmente na de um jornalista. O problema é quando certos cidadãos, jornalistas ou não, começam a brigar com a notícia. Nunca entendi muito bem a regra do “ame-o ou odeie-o” no rock, em especial quando se trata de música de boa.

De vez em quando aparecem seres em publicações por aí que adoram vaticinar a morte do rock progressivo ou rotular de dinossauros bandas do segmento. Tripudiam sobre o que não conhecem. E escrevem sobre o que não ouviram – o célebre “não ouvi e não gostei”. Essas bobagens são escritas soibretudo em cadernos dedicados a adolescentes de alguns jornais.

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Mas eis que de repente aperece um assombro como o “The Whirlwind”, o mais recente trabalho do Transatlantic, monumental grupo progressivo que nada mais do que um projeto paralelo reunindo quatro gigantes da música atual: Neal Morse (guitarra, teclados e vocais, ex-Spock’s Beard), Roine Stolt (guitarra e vocais, líder do grupo sueco Flower Kings), MIke Portnoy (baterista do Dream Theater) e Pete Trewavas (baixista do Marillion).

Bom gosto, inteligência e muito virtuosismo sem que se caia no pedantismo e na auto-indulgência. “The Whirlwind” tem suas faixas quilométricas, mas seguindo a escola tradicional do sub-gênero progressivo implantada nos anos 70: são mini-suítes, com andamentos intrincados, muita ênfase na harmonia e vocais perfeitamente colocados.

Da esq. para dir.: Trewavas, Portnoy, Morse e Stolt (FOTO: DIVULGAÇÃO)

Da esq. para dir.: Trewavas, Portnoy, Morse e Stolt (FOTO: DIVULGAÇÃO)

O álbum é o quinto do grupo de amigos, sendo o terceiro de estúdio. É o mais acessível de todos, embora não tenha a mesma qualidade progressiva de “Bridge Across the River”. Temia-se que a conversão de Neal Morse a uma vertende mais fundamentalista do cristianismo (fato que o levou a deixar a ecelente banda Spcok’s Beard) influenciasse nas letras, mas isso não ocorreu, para alegria de todos.

Para quem aprecia música inteligente e bem tocada – “música para a cabeça, e não para os pés”, como sempre diz Robert Fripp, do King Crimson -, “The Whirlwind” é um álbum que resgata o sub-gênero e cala a boca dos críticos que preferem bandinhas de garagem do interior de Idaho que duram duas semanas e só eles conhecem.

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Aproveite e ouça o programa-podcast Combate Rock nº 3, produzido pela equipe do blog Combate Rock, que analisa e discute a trajetória do guitarrista Stevie Ray Vaughan, que morreu há 20 anos.

Combate rock #3 by mmoreirasp

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