Titãs: polícia, igreja e censura

Estadão

07 de dezembro de 2010 | 16h14

Lauro Lisboa Garcia

Arnaldo Antunes diz que a banda até então não tinha conseguido soar grande como queria, talvez por imaturidade deles ou da captação dos produtores com quem tinham trabalhado.

“Isso é uma coisa. Teve também o episódio da prisão, o disco todo tem uma certa violência, que responde àquela situação de vida, em faixas como ‘Estado Violência’, ‘Polícia’. E também o contexto conceitual, por cada faixa falar de uma instituição. É um disco muito amarrado conceitualmente e muito condensado sonoramente. Enfim, tem uma série de elementos. Foi um momento muito especial pra gente”, diz o compositor e cantor.

“Polícia para quem precisa de polícia” tornou-se um dos versos mais populares da banda entre roqueiros e prováveis agredidos em geral. Igreja foi uma resposta de Nando Reis às declarações de Roberto Carlos em favor da proibição do filme “Je Vous Salue Marie”, de Godard.

Arnaldo Antunes ( FOTO IVSON / DIVULGAÇÃO)

Arnaldo Antunes não concordava com a letra e saía de cena quando chegava a hora dessa canção no show. Mas fazia isso também em outras – os Titãs tinham seis vocalistas que se alternavam.

“O que realmente me incomodava era essa coisa de ter qualquer certeza. Nunca tive uma certeza religiosa e também não tenho do ateísmo. Tinha outras músicas em que eu não fazia coro, não estava presente. Esse episódio com Igreja era irrelevante, mas acabou sendo tão comentado que com o tempo passei a ficar no palco e cantar a música, porque também não era para virar uma bandeira”, lembra Arnaldo.

A ditadura militar ainda dava suas últimas tesouradas, mas os Titãs não sofreram o mesmo golpe desferido contra a Blitz, que teve duas faixas do primeiro disco totalmente riscadas no vinil, como forma radical de impedir que fossem tocadas.

Mesmo assim, tiveram a canção “Bichos Escrotos” proibida de ser veiculada nas rádios, especialmente por causa de um verso, esse também vetado para ser cantado nos shows. “Com o tempo algumas rádios passaram a tocar, fazendo um ruído na hora do ‘vão se foder’. O problema era o palavrão”, diz Arnaldo. “No show, a gente não podia cantar essa parte, mas o público gritava. Era genial.”

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