Titãs e Baratos Afins brilham em uma Virada Cultural perigosa e com probemas de segurança

Estadão

11 de maio de 2012 | 06h43

Marcelo Moreira

Um evento fantástico, com atrações de primeiro time e muita diversão. Um evento perigoso, sem segurança, com muito tumulto, despreparo dos organizadores e total falta de educação por parte dos espectadores.

A Virada Cultural de São Paulo atraiu mais de 4 milhões de pessoas e se transformou em um marco importante do calendário da cidade e do Estado, mas ainda é um programa perigoso e deixa dúvidas sobre se a cidade tem mesmo condições de promover um evento de tal porte.

No que nos diz respeito, nas atrações roqueiras, o evento foi ótimo. Os Titãs foram um grande destaque, com um show vigoroso, executando na íntegra o seminal “Cabeça Dinossauro”, álbum de 1986, e emocionando milhares de pessoas.
Os veteraníssimos Iron Butterfly e Black Oak Arkansas surpreenderam muito o público, executando um classic rock de responsabilidade e com muita competência, injetando qualidade e inteligência ao evento.

Poppa Chubby encantou um público mais afeito ao jazz, ao blues e ao soul/funk e foi uma das atrações mais elogiadas. Daevid Allen e seu Gong fizeram um show alucinante e mostraram um experimentalismo e um rock progressivo da melhor qualidade.

Titãs levantaram a plateia na VIrada Cultural (FOTO DANIEL TEIXEIRA/AE)

E o palco Baratos Afins, em homenagem à histórica loja de CDs e LPs da Galeria do Rock foi o melhor de todos, juntando o que de melhor se produziu na música roqueira brasileira dos anos 80, em um clima de paz e muita diversão. Foi de longe a melhor coisa da Virada, já que não houve a superlotação e o tumulto da apresentação dos Titãs e dos ótimos Suicidal Tendencies.

Esta banda norte-americana, aliás, um nome importante do cruzamento do heavy metal com o hardcore, fez um shows muito bom, mas que foi ofuscado pelas constantes invasões de palco pelo público insano e completamente desprovido de educação – e que evidenciou a total falta de segurança para eventos gratuitos na cidade em se tratando de artistas polêmicos ou mais extremos.

Muita gente se machucou na área do palco onde o Suicidal Tendencies se apresentou. Faltou organização, faltou segurança, faltou polícia. Se o excesso de gente não trouxe maiores consequências, no caso da banda americana a coisa ficou bastante perigosa.

 

Mike Muir, vocal do Suicidal Tendencies: show foi intenso, mas muito bagunçado e com segurança deficiente (Foto: MARCOS BIZZOTTO/AE)

Arrastões em vários locais do centro da cidade foram relatados por espectadores, assim como confrontos entre gangues de jovens foram registrados. Infelizmente tais ocorrências ocorreram nas áreas próximas aos palcos musicais. Nenhum incidente foi registrado em eventos de artes plásticas, audiovisuais, teatrais e de dança – até porque a maioria ocorreu em locais fechados e fora do centro da cidade.

A Virada Cultural está mais do que enraizada e já é um patrimônio cultural da capital e do Estado de São Paulo. Mas as gritantes falhas de organização e a falta de segurança em diversos locais próximos aos palcos musicais tiram o brilho de um evento que mobiliza milhões de pessoas.

E, lamentavelmente, mostra que parcela expressiva do público e da população de São Paulo não tem educação para saborear um programa de tal magnitude. Os organizadores, entretanto, estão de parabéns pelas atrações roqueiras da oitava edição, em 2012.

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