Titãs celebram um marco da cultura nacional

Estadão

10 de março de 2012 | 23h59

Marcelo Moreira e Flávio Leonel (Roque Reverso *)

O grupo brasileiro Titãs decidiu seguir a onda de grandes bandas internacionais e tocará seu disco mais clássico, “Cabeça Dinossauro”, na íntegra. O presente aos fãs será dado por meio de 7 shows que serão realizados no Sesc Belenzinho, em São Paulo, em março. Começou no dia 8 e vai até o dia 17. As vendas dos ingressos começaram no dia 1° de março e rapidamente se esgotaram, conforme informação veiculada na página do Sesc na internet.

O álbum foi eleito por algumas publicações brasileiras como um dos três mais importantes do rock nacional. A banda não foi a pioneira, é óbvio, mas foi a única brasileira que conseguiu levar a violência do metal e a agressividade do punk para as conservadoras paradas nacionais de sucessos.

Pancadas sonoras como “Igreja” e “Bichos Escrotos” tocaram maciçamente nas rádios e em programas populares de TV, sob protesto de pais e “autoridades” assustados com a ousadia e a coragem de transgredir em uma época ainda sensível da política brasileira – o conservadorismo ditava as regras ainda, apesar do fim do regime militar, em 1985.

A censura oficial ainda existia, mas foi incapaz de conter o sucesso de um trabalho muito pesado e ousado, perpetrado por um grupo de rock subversivo e transgressor. Foi o primeiro disco de rock pesado a chamar a atenção da impren e da sociedade e teve importância histórica não só na música, mas principalmente na cultura brasileira. É um marco da criação artística do Brasil e merece o respeito de todo apreciador de rock pesado.

Estes shows de 2012  marcam o início de uma série de celebrações do grupo, que completará 30 anos de seu primeiro show, quando ainda eram chamados de “Titãs do Iê-Iê”. Da formação clássica, que chegou a contar com 8 integrantes, restaram apenas Branco Mello (vocal e baixo), Paulo Miklos (vocal e guitarra), Sérgio Britto (vocal e teclados) e Tony Bellotto (guitarra).

O baterista Mário Fabre se juntou à banda recentemente, após a saída de Charles Gavin, em 2010. O guitarrista Marcelo Fromer morreu em 2011. Arnaldo Antunes (vocais) já havia deixado o grupo em 1992 e o baixista Nando Reis, que também cantava, saiu em 2002.

Muitos passaram a questionar a postura do Titãs como banda de rock depois que o grupo gravou disco acústico em 1997 voltado para um lance mais pop. Depois daquele trabalho, a banda nunca mais trouxe aquela pegada que teve seu maior momento justamente com “Cabeça Dinossauro”.

Lançado em 1986, o disco clássico traz grandes hinos do rock nacional e aproveita bastante a onda punk que marcava a época no Brasil. ”Polícia”, “Igreja”, “Porrada”, “Bichos Escrotos” e “Homem Primata” são só algumas das músicas com letras poderosas que transformaram o álbum num dos melhores da história no País e que teve excelente sequência com o disco “Jesus Não tem Dentes no País dos Banguelas”, de 1987.

Fica aqui a torcida para que o grupo faça mais shows como esses do Sesc Belenzinho. Como pode ser visto, público não faltará.

* Flávio Leonel é jornalista da Agência Estado e editor do ótimo blog Roque Reverso.

 

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