The Who: 45 anos de propaganda irônica na pirataria britânica

Estadão

09 de dezembro de 2012 | 07h00

Cauê Del Valle – publicado originalmente no site Whiplash

O humor sempre foi uma das principais marcas do The Who. As excentricidades de Keith Moon e o temperamento explosivo de Townshend, sempre foram combustiveis indispensáveis, para formatar a personalidade do quarteto britânico. Fluindo disso, o Who, sempre teve uma alegria fantástica. Grande parte disso, pode ser sentido, através do clássico The Who Sell Out.

O ponto principal do sucesso desse disco, com certeza, foi a idéia que Pete teve de criar anúncios fictícios e sutilmente introduzi-los nas faixas do disco, que posteriormente seria lançado através da extinta, Radio London (rádio pirata que em seu tempo de atividade, atraiu uma legião de aproximadamente, 25 milhões de pessoas que sintonizavam a rádio diariamente.) O tempo mostrou, que de fato, se trata de um dos grandes clássicos do rock, mas que perdeu um pouco de sua força histórica, por ter sido lançado em 1967, um ano emblemático pro rock, devido aos lançamentos, do Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band dos Beatles e Are You Experienced? de Jimi Hendrix.ImagemUm das marcas principais desse disco é mente irônica e criativa de Pete, que assinou praticamente todas as faixas.A idéia inicial foi mostrar como a sociedade contemporânea estava cada vez mais consumista, e claro, alfinetar as grandes marcas, que tornavam esse consumo, desenfreado.

Consistia em jingles, que seriam colocados na programação da famosa Radio London, onde se venderiam produtos de todos os tipos: desodorante que faria sua transpiração virar inspiração (Odorono), propaganda de feijão (Heinz Baked Beans), creme para acne (Medac) e etc…

A radio London foi uma importante divulgadora dos novos grupos de rock britânicos. Segundo Daltrey , “o rock and roll na Inglaterra não teria existido, sem ela.” A idéia da rádio era ousada e ao mesmo tempo simples: como a BBC era a emissora mais forte e controlava quase todas as estações do Reino Unido, a radio London ficava dentro de um barco que circulava pelo rio Tâmisa, fora da jurisdição legal da BBC, e tocava os compactos dos novos grupos, com um excelente alcance e qualidade sonora. Surge ai a Rádio Pirada.

Lançado em 2009, o filme The Boat That Rocked, ou no Brasil Os Piratas do Rock, retrata essa época e como se deu o nascimento da lendária estação de rádio.

Segundo Entwistle, boa parte dos comerciais, foram gravados no Kingsway Studios, em Londres.

A fundo, a visão que Pete gostaria que fosse sentida, era a importante influência das rádios, nas gerações dos anos 50 e 60. Kit Lambert e Chris Stamp haviam tido a idéia de criarem um álbum que lembrasse as rádios piratas inglesas e uma rádio comercial da América, um estilo de vida destruído pelo emergente estilo de vida hippie. E aí nascia a verve cínica e bem-humorada do grupo.

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As gravações aconteceram aos pedaços, entre maio e novembro de 1967, em Los Angeles, Nova York e a maior parte, em Londres.

O disco abre com a estonteante “Armenia City in the Sky”, de John Keene, um velho amigo de Pete e que dividiu os vocais com Roger. Keene faria parte, mais tarde, de um grupo criado por Townshend, Thunderclap Newman.

A canção abre com uma abertura de rádio até entrar com um abertura lisérgica de Pete, preenchidas por um belo naipe instrumental. A seguida vem “Heinz Baked Beans”, de Entwistle. A seguir entra uma canção que remete um pouco aos primeiros compactos dos Byrds, “Mary Anne With The Shaky Hands”.

Um dos grandes momentos é a “Tattoo”, com belos vocais de Roger. Roger, aliás, não era o único vocalista do grupo no disco. Roger só cantou três números no disco original – “Tattoo”, “I Can See for Miles” e “Rael”. Em “Armenia City in the Sky” dividiu os vocais com Keene. “Heinz Baked Beans”, “Medac” e “Silas Stingy” são vocalizadas por John; “Odorono”, “Our Love Was”, “I Can’t Reach You” e “Sunrise”, por Pete e “Mary Anne with the Shaky Hand” e “Relax” são feitas por Pete e Roger.

Além disso, havia “I Can See for Miles”, um dos mais brilhantes trabalhos de Keith Moon em sua carreira, pontuado a música, de maneira brilhante, com pratos.

Ao ser lançado em 16 de dezembro de 1967, o disco alcançou o 13º lugar no Reino Unido e apenas o 48º, na América, onde foi editado em 6 de janeiro de 1968. O LP surpreendia por não trazer o nome das faixas na contra-capa. As faixas do LP original eram:

Lado A:

1. “Armenia City in the Sky” (John Keen) – 3:12
* “Radio London”
2. “Heinz Baked Beans” (John Entwistle) – 0:57
* “More Music”
3. “Mary Anne with the Shaky Hand” – 2:04
* “Premier Drums”
* “Radio London” (Instrumental)
4. “Odorono” – 2:16
* “Radio London”
5. “Tattoo” – 2:42
* “Radio London” (Church of Your Choice)
6. “Our Love Was” – 3:07
* “Radio London” (Pussycat)
* “Speakeasy”
* “Rotosound Strings”
7. “I Can See for Miles” – 4:17

Lado B:

* “Charles Atlas”
1. “I Can’t Reach You” – 3:03
2. “Medac” (Entwistle) – 0:57
3. “Relax” – 2:38
* “Rotosound Strings”
4. “Silas Stingy” (Entwistle) – 3:04
5. “Sunrise” – 3:03
6. “Rael 1” – 5:44

 

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