The National: popular e indie

Estadão

13 Abril 2011 | 23h02

Pedro Antunes

O último e quinto disco do The National, High Violet, lançado em maio do ano passado, estreou bem nas principais paradas do mundo, como a americana (3º lugar), a inglesa (5º), mas não se pode dizer que eles estouraram. De alguma forma, o quinteto nascido em Cincinnati, Ohio, no noroeste dos Estados Unidos, mantém uma aura de mistério e certo desconhecimento.

Eles figuram como principais atrações nos grandes festivais, mas, diferentemente, por exemplo, dos amigos do Arcade Fire, que atingiram outro patamar de sucesso, mais de crítica do que de público.

São queridinhos de fãs que gostam de descobrir novas bandas, que aparentemente só eles conhecem e gostam de ter uma “banda preferida que só eu conheço”. O show de hoje à noite, no Citibank Hall, porém, reunirá vários desses, que se emocionam com as intensas e melancólicas letras e melodias cantadas pelo vocalista Matt Berninger.

Ele, acompanhado pelas duas duplas de irmãos – Dessner (Aaron e Bryce, que se revezam no teclado e guitarra) e Devendorf (Bryan, baterista, e Scott, baixista) –, têm conseguido construir uma carreira cada vez mais sólida, mesmo longe dos maiores holofotes. High Violet representa a sua melhor fase. Um reflexo de amadurecimento de Berninger, principal compositor do grupo.

O melhor, e talvez seja esse o grande segredo do The National, é que Berninger não sabe tocar qualquer instrumento. “É incrível de acreditar, mas ele não toca, mesmo. Por outro lado, ele tem um ouvido incrível. Por essa razão, ele sempre tem uma ideia de música diferente das outras”, explica Scott Devendorf, baixista da banda e amigo de Berninger desde 1991, quando ambos ingressaram na Universidade de Cincinnati, no curso de – pasmem – design.

Eles chegaram a ter uma banda chamada Nancy, que pretendia soar como o Pavement, criadores de todo o movimento indie. “Eles, de fato, são nossa influência”, explica o Devendorf baixista. Outras influências latentes são, principalmente, The Smiths e Joy Division, muito mais pela forma de compor canções tristes, do que na forma de musicar tais lamúrias poéticas.

A mudança para Nova York, berço sempre efervescente do cenário musical underground e independente, aconteceu em 1996. Ambos, Berninger e Devendorf trabalhavam como designers, enquanto mantinham o sonho de criar uma banda. O The National surgiu em 1999. Eles foram ganhando espaço aos poucos, de clube a clube.

A voz de Berninger, um barítono aveludado, já chamava atenção. Vieram os interessantes dois primeiros discos, um homônimo (2001) e Sad Songs for Dirty Lovers (2003). Mantendo uma regularidade de um disco a cada dois anos, vieram os ótimos Alligator (2005) e Boxer (2007), este último representou a apresentação da banda para o mundo.
Aos 40 anos, Berninger chegou à meia-idade e isso se refletiu nas letras do High Violet, um disco recheado de novos hits tristonhos.

A bela Sorrow mostra um homem que não quer, nem consegue superar o amor de uma mulher que não o quer mais. Já o primeiro single, Bloodbuzz Ohio tem um discurso biográfico, com as dores e saudades de um homem de meia-idade, vivendo uma vida miserável. Não chega a tanto. The National pode não ter atingido o auge, mas o mainstrean não combina com a sonoridade da banda. Eles são melhores como a “banda desconhecida preferida”.

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