The Kooks ressurgem com a mesma pretensão

Estadão

13 de novembro de 2011 | 11h00

Pedro Antunes

Era preciso de uma espécie de desintoxicação de todos os membros da inglesa The Kooks para que o terceiro disco, de fato, fosse gravado. Depois de dois álbum elogiados, Inside In/Inside Out (2006) e Konk (2008), a banda entrou no universo da máxima “sexo, drogas e rock’n’roll” e passou, o mês de abril de 2009, para uma espécie de reabilitação.

“Precisávamos de dar um tempo de tudo e de todos”, diz o guitarrista Hugh Harris, de 24 anos, de sua casa em Londres. “Não conseguíamos mais criar! Fomos para a casa de campo de um amigo nosso. Foi um disco difícil.”

Junk Of The Heart só saiu em setembro no Reino Unido e agora chega ao País, lançado pela EMI, e traduz um pouco desse momento da banda. “Acho que é um trabalho que fala sobre o amor e ódio, a relação entre esses dois temas tão distantes e, claro, tão próximos”, diz Harris. E drogas? “Sim, acho que também fale um pouco disso”, complementa o guitarrista, com voz de garoto constrangido.

Em entrevista ao semanário inglês NME, o letrista oficial da banda e também vocalista Luke Pritchard, disse que, por exemplo, Mr. Nice Guy, última faixa do álbum, era sobre o uso de cocaína. Em dado verso, ele canta: “Pensando que todos querem você / Seu nariz está coçando e você está tão devagar”. Harris é rápido: “É, esse verso dá a entender sim”. E completa: “Mas na realidade, as pessoas usam drogas. Não só os músicos, entende? São coisas que as pessoas experimentam, mas o problema é que a mídia faz com que tudo fique mais evidente.”

Na ativa desde 2004, a banda sofreu mudanças neste terceiro disco. O baixista Max Rafferty, fundador do grupo, saiu alegando divergências musicais com o resto do grupo. Pritchard chegou a dizer que o problema era o abuso de drogas, que estava afetando o resto da banda. Harris explica que ambas as histórias são verdade. “Ele realmente estava com problemas sérios com drogas. Mas também tínhamos ideias divergentes. Ele queria ser o principal compositor da banda, pensar mais. Só que ele é só um ótimo baixista.”

A produção do disco é assinada novamente por Tony Hoffer, responsável pelos dois trabalhos anteriores e também por álbuns de Beck, Phoenix, Belle & Sebastian, Black Rebel Motorcycle Club, Depeche Mode e os queridinhos do ano, Foster The People. “Ele produziu bandas que gostamos muito e, desta vez, ele foi fundamental e virou uma parte da banda. ”

Por todas as mudanças – e abusos – Junk Of The Heart não é tão inspirado como os trabalhos anteriores. A voz preguiçosa de Pritchard se mantém como a principal característica da banda. Já Harris é, na maioria das vezes, suave com suas guitarras e nos arranjos de um quarteto de cordas. É uma espécie de indie pop teen, com dramas e sofrimentos adolescentes. Afinal, eles ainda têm 20 e poucos anos e cantam sobre a diversão de dar um “beijo de esquimó” numa garota, em Eskimo Kiss. Um roqueiro veterano faria isso? Acho que não.

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