'The Final Frontier' traz Iron Maiden progressivo

Estadão

11 de agosto de 2010 | 17h30

Marcelo Moreira

Esqueça essa história de clássico, de retorno às raízes, de reeditar os grandes álbuns da carreira. Isso é conversa de crítico musical sem conteúdo e ranzinza que fica velho e sem assunto e sem paciência para analisar trabalhos de bandas antigas e relevantes.

No podcast Combate Rock nº 1 parte da equipe debateu a relevância ou não de grupos e artistas que têm mais de 30 anos de carreira e que continuam na ativa. Maurício Gaia e Daniel Fernandes defendem uma aposentadoria compulsória para esse tipo de artista, embora sejam contraditórios ao elogiarem artistas também considerados antigos.

O Emerson, Lake and Palmer e Iron Maiden foram citados como exemplos de dinossauros que devem ser extintos. Uma enorme bobagem. A pior coisa que cada um já fez é melhor do que a melhor coisa que é feita no rock na atualidade.

O Iron Maiden lança neste mês seum 15º álbum de estúdio, “The Final Frontier”, está bem longe dos seus próprios clássicos gravados nos anos 80. Ainda bem. “The Number of the Beast”, “Powerslave” e “Piece of Mind” foram gravados há quase 30 anos.

Bandas gigantes como essa ainda têm problemas com fãs em shows que exigem que sejam executadas as mesmas dez músicas de sempre e ficam irados quando a banda foca mais o material novo ou mais recente, justamente para promover os álbuns mais recentes. O Iron Maiden é um exemplo de integridade. Se o fã quiser ouvir “Run to the Hills” cinquenta vezes, que ouça no CD.

Partindo deste princípio, “The Final Frontier” é uma evolução dentro da careira de 35 anos do Iron Maiden – sendo 30 de carreira fonográfica. Cada vez mais progressivo e complexo, mas mantendo o peso de sempre, o sexteto explora novos caminhos e procura se diferenciar em um mercado cada vez mais pasteurizado – com a maioria das bandas de power metal e metal tradicional copiando descaradamente o que o próprio Maiden fazia na década de 80.

É a mesma tendência verificada no álbum anterior, “A Matter of Life and Death”, de 2006, que era sombrio e abordava temas pesados, como guerras e as contradições e responsabilidades das religiões na gênese dos confilitos. A veia progressiva se acentuou, com temas mais longos, andamentos mais complexos e letras mais trabalhadas.

Capa de

Capa de "The Final Frontier", álbum que será lançado em 16 de agosto

“The Final Frontier” é um passo adiante na tentativa de modernizar o som e buscar novos caminhos na wera do MP3, da música digital roubada e baixada de graça. Com a sonoridade masi progressiva, tenta manter o grosso do público que admira a banda desde smepre, mas que ficou mais velho e que não tem mais a mesma paciência de ouvir as mesmas músicas sempre.

Essa é uma característica do público do Iron Maiden. Não se contenta com mais do mesmo. Neste século a banda tentou reeditar sucessos usando a fórmula dos anos 80 – músicas mais rápidas, curtas e certeiras, com refrões pegajosos. “The Wicker Man” e “Wildest Dreams” são boas músicas, mas não foram certeiras e não funcionaram. O público esperava mais e melhor.

O novo álbum cumpre em parte essa função. É ótimo do começo ao fim, ao contrário do graco “Dance of Death”, de 2003, e menos cansativo do que “A Matter of Life and Death”. É mais animado, cmúsicas mais bem construídas.

A trinca inicial – “Satellite 15….The Final Frontier”, “El Dorado” e “Mother Of Mercy” – já vale o disco, resume bem a proposta: música bem feita, rápida, pesada e com guitarras bem definidas.

Os momentos baladísticos estáo presentes com “Coming Home”, mas o cenário progressivo não remete ao cabecismo do King Crimson, consegue ficar no nível terreno, apesar das complexidades de certas passagens de “The Alchemist”, “Isle Of Avalon” e “The Man Who Would Be King”.

Mais do que digno, “The Final Frontier” é um excelente álbum de rock pesado e cumpre plenamente a sua função. Merece ser comprado e ouvido.

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