Symphony of Malice: crescendo com as próprias forças

Estadão

02 Setembro 2013 | 17h00

Costábile Salzano Jr. – The Ultimate Music Press – Especial para o Combate Rock

Não é preciso ser um expert para saber que o heavy metal é um segmento musical mundial. Amado por muitos e odiado por tantos outros. Porém, querendo ou não, é estilo que se mantem estável em relação à moda, às grandes turnês, à lançamento de discos, realização de grandes festivais, à fidelidade do público, etc.

No Brasil, este parâmetro não é tão diferente. O curioso é que muitas bandas brasileiras continuam saindo do país justamente para conquistar o tão sonhado sucesso. Exemplos disso, temos vários: Sepultura, Krisiun, Shadowside, Angra, Hibria, Torture Squad, dentre tantos outros grandes nomes.

No entanto, há quem faça o caminho inverso: sai dos EUA e desembarca em terras tupiniquins. É o caso da Symphony of Malice, banda liderada pelo brasileiro Gus Sinaro e que recentemente realizou alguns por aqui.

O grupo que está divulgando o álbum “Judgement Day (The Aftermath)”, tem obtido interessante aceitação e como todos os olhos do mercado musical estão voltados pra cá, o músico aproveitou este momento para apresentar seu trabalho aos seus compatriotas.

Em entrevista exclusiva, o vocalista Gus Sinaro comentou sobre a criação do grupo, a repercussão do debut álbum, a receptividade do público brasileiro, além de outras impressionantes curiosidades.

O Symphony of Malice ainda é pouco conhecido no Brasil. Fale um pouco sobre a trajetória da banda até os dias atuais.

Gus Sinaro: Eu criei o Symphony of Malice em 2009, quando eu cansei de tocar em outras bandas que não tinham a mesma visão que eu ou até mesmo por falta de afinidade. Então, pensei em criar algo grande e que tocasse no mundo inteiro, não queria estar em mais uma banda cover, tocando em bares toda semana. Moro nos EUA há 13 anos basicamente e desde que montei a banda, a repercussão aqui na área de Nova York vem aumentando cada vez mais. Já tocamos com o Drowning Pool, que faz muito sucesso por aqui, além da repercussão em vários Estados americanos como a Califórnia, já atingimos vários países da Europa e agora o Brasil. Estamos realmente alcançando um público grande e estamos muitos felizes. Além disso, temos dois vídeoclipes oficiais, além desde último CD. Já estamos pensando em um novo trabalho no ano que vem talvez e em novos vídeos.

Como foram os shows no Brasil? Qual era a sua expectativa antes das apresentações e a sua percepção depois das exibições? Como foi a receptividade do público?

Gus Sinaro: Os shows foram ótimos, fomos muito bem recebidos. O público brasileiro sempre foi muito carismático em relação ao heavy metal, então minhas expectativas já eram altas. Acredito que essa turnê abriu muitas portas para nós.

Qual foi o repertório? Tocaram algo que não vem sendo executado no set no exterior?

Gus Sinaro: O repertório basicamente foi voltado para o nosso álbum “The Judgement Day (The Aftermath)”. A única surpresa diria que foi um cover da música “Dying in your Arms”, do Trivium.

O Brasil é o país recorde em casos engraçados quando o assunto é turnê. O que você pode nos contar de curioso?

Gus Sinaro: Aconteceram várias coisas engraçadas, daria para escrever um livro. Mas, o mais engraçado é que comecei ensinar certas “palavras” em português para os outros dois integrantes da banda para falarem com as meninas, por exemplo: “Oi gostosa!” (risos) Esse tipo de coisa… foi bastante engraçado.

Você sabe que o cenário do heavy metal no Brasil cresceu muito nos últimos 10 anos. Muitas bandas surgiram e despontaram no cenário internacional com qualidade muitas vezes até superior do que encontramos no exterior. Qual será a carta na manga do Symphony of Malice para conquistar o tão exigente público brasileiro?

Gus Sinaro: O Brasil sempre foi um país do heavy metal. Talvez é por isso que eu comecei a escutar esse estilo de música tão cedo na minha vida e nunca olhei para trás. O estilo do Symphony of Malice combina peso e muita harmonia, uma combinação que o povo brasileiro sempre tem curtido, principalmente quando há a união do thrash metal com o power metal. Essa combinação tem sido muito bem recebida nos EUA e com certeza já esta sendo bem aceita no Brasil.

O mercado do heavy metal nos EUA não está tão forte como antigamente, vide que alguns festivais não tem levado o número esperado de espectadores e algumas turnês chegaram a ser canceladas. Como o Symphony of Malice tem feito para superar essa crise?

Gus Sinaro: A indústria musical mudou completamente e é muito difícil para as bandas novas conseguir selos e apoio. Estamos fazendo quase tudo sozinhos com gravações, vídeos, turnês e tudo que um selo nos forneceria está vindo de dentro da banda com muito trabalho, suor e esforço.

Gus, você se mudou do Brasil para os EUA há 11 anos com o sonho de ser músico profissional. Neste período, muita coisa mudou no mercado e a concorrência so aumentou. Acredito que você fez o caminho correto já que o Brasil ainda continua distante da atenção das gravadoras e do público em geral se você não sair em turnê com alguma banda relevante. Qual é o aprendizado e vantagens de morar no exterior traz no sentido de agregar à sua carreira?

Gus Sinaro: Muitas coisas mudaram na minha vida quando decidi me mudar para os EUA. Cresci muito como compositor e músico. As vantagens de morar no EUA é de você poder comprar melhores instrumentos musicais e aprender o inglês com fluência.

Percebi que as letras do Symphony of Malice têm a intenção de enviar mensagens aos ouvintes. Qual é a sua determinação na hora de compor? O que te inspira?

Gus Sinaro: As mensagens que eu tento mandar nas minhas composições no primeiro álbum são sobre meu ódio por corrupção, ganância, injustiça. Devidamente a esse tópico eu nomeei o CD de Judgement Day (The Aftermath). Outros assuntos são inspirados por filmes de Serial killers, depressão e problemas pessoais.

Quais são as suas bandas favoritas no momento. Conhece ou gosta de alguma banda brasileira da nova geração?

Gus Sinaro: Gosto muito do Trivium, Machine Head, Killswitch e Metallica como sempre.

Quais são os seus planos para 2013, 2014?

Gus Sinaro: 2013 são turnês no Brasil e EUA e mais vídeos em suporte do nosso primeiro CD. 2014 serão muitas novidades e provavelmente um CD novo.

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