SWU: tentando ser a Woodstock tupiniquim

Estadão

16 de novembro de 2011 | 05h10

Pedro Antunes

Ufa! Chegou ao fim a temporada de megafestivais de música no Brasil. Depois do gigantesco Rock in Rio e do concorrido Planeta Terra, o caçula SWU acabou na madrugada de ontem, abrindo uma concorrência direta com os outros eventos já consolidados no cenário nacional.

Audacioso, o ecofestival reforçou seu conceito, uniu música e debate sobre meio ambiente e sustentabilidade, reuniu shows e fóruns de discussão, tudo em um ambiente aberto – o Parque Brasil 500, em Paulínia (SP) – e espaçoso – em 1,7 milhão de metros quadrados. Foram três dias de evento, que atraiu um total de 179 mil pessoas.
O publicitário Eduardo Fischer, criador do festival, e sua equipe arriscaram ao contar com o favorecimento da natureza tanto defendida por eles. A grama, a terra batida, os cascalhos, tudo ruiria com algumas horinhas de chuva. Pois a água veio e transformou o espaço num grande lamaçal. Durante a coletiva de imprensa no fim do festival, Fischer disse que empresários gringos compararam o SWU com o Coachella, na Califórnia. Na realidade, as semelhanças são maiores com o histórico Woodstock. Principalmente, em dois aspectos: a lama e a boa mensagem transmitida.

Na mesma conversa com os jornalistas, o criador do festival ressaltou a falta de lama no festival. “Olhem para o meu tênis. Está limpo e rodei o evento inteiro”, disse o publicitário, enquanto, à sua volta, todos os outros tinham pés cobertos por terra molhada. Negar a lama é um erro. Estava lá, na frente de todos, nas fotos, vídeos e, claro, esfriando os pés das 70 mil pessoas que foram ao terceiro dia de evento.

É bobagem. Afinal, não é o grande problema do festival. No camping, por exemplo, muitos brincavam de dar mergulhos nas poças d’água, numa versão de “spring break” das competições de saltos ornamentais. O barro, num festival a céu aberto, é esperado. O Glastonbury, festival da lama na Inglaterra, já tem seus ingressos esgotados antes do primeiro nome ser anunciado.

Depois de indagar “onde vocês estão vendo lama?”, Fischer confirmou a terceira edição do festival, em 2012, que começa a ser pensada a partir de hoje e ocorrerá em outra época: ou em outubro (como na primeira edição, em Itu, no feriado do dia 12) ou em setembro.

É louvável a intenção de se criar debates em cima de temas tão importantes. A escalação dos palestrantes foi impecável: de gênio da música (Neil Young) a ganhador de Nobel da Paz (Rigoberta Manchú). Mas ainda falta comunicação entre os debates e os shows. Realizados em locais e horários separados, atraíram públicos diferentes, que não trocaram suas experiências.

Mantida a excelência do line up dos debates, as duas frentes devem se alinhar naturalmente. A mesma excelência não pode servir para classificar as atrações musicais, de gosto questionável. Mas o caçula tem só dois anos de vida e ainda tem tempo para aprender.

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