SWU: lama, nostalgia e rock no segundo dia

Estadão

16 de novembro de 2011 | 02h15

Felipe Branco Cruz

Atrasos, brigas, chuva, lama e muito rock and roll. Foi assim o segundo dia do festival SWU, realizado em Paulínia, interior de São Paulo. Por conta do mau tempo, o esquema montado pelos organizadores de intercalar, a cada cinco minutos, uma atração em cada palco, Consciência e Energia, não deu certo.

Os shows, que deveriam ter acabado à 0h15, atrasaram, e o Lynyrd Skynyrd, última atração da noite, só foi sair do palco à 1h30. As apresentações já começaram a atrasar por volta das 15h50, quando fortes rajadas de vento impediram que o Ultraje a Rigor começasse a tocar no horário programado, 16h05.

Roadies do Ultraje e de Peter Gabriel trocaram sopapos no palco – Gabriel queria que os brasileiros terminassem o show mais cedo. “Ei, Peter Gabriel, achava que você era um artista. Quando foi que você virou um babaca?” escreveu em inglês Roger no seu twitter. Mais tarde, o mesmo Roger divulgou que Gabriel lhe telefonou, pedindo desculpas pelo incidente.

Mesmo com quase duas horas de atraso, o esquema que intercalava os shows voltou a funcionar, e o público testemunhou excelentes apresentações de Chris Cornell, Duran Duran, Lynyrd Skynyrd e do próprio Peter Gabriel, que levou ao palco a The New Blood Orchestra. Quando o público achava que mais nada rock and roll viria, veio o show do Hole, banda da viúva de Kurt Cobain, Courtney Love, no palco menor, batizado de New Stage.

A chuva também não deu trégua em Paulínia. Ora rajadas, ora uma leve garoa, mas sempre de forma intermitente. O resultado foi a transformação de gramados em um grande lamaçal. A área asfaltada entre os palcos foi tomada por grandes poças e montes de lixo acumulado.

Mesmo assim as 45 mil pessoas que passaram pelo SWU neste segundo dia não esmoreceram. O espaço entre os palcos não ficou lotado como na noite anterior e era possível circular com facilidade. Depois do Ultraje, foi a vez de Chris Cornell se apresentar.

O vocalista do Soundgarden e do Audioslave levou seu show solo, voz e violão, e apresentou, co jeito acústico, hits como Like A Stone (Audioslave). E também homenageou Michael Jackson com excelente versão de Billie Jean.

Em seguida, no palco Energia, o Duran Duran fez o público se sentir num programa de rádio de madrugada, com hits oitentistas. O destaque foi Ordinary World. O clima retrô ganhou força com os topetes exagerados dos integrantes e suas roupas brilhosas de oncinha. O show só não lotou porque, no palco alternativo, Courtney Love fazia suas maluquices.

Com uma impecável orquestra, som de excelente qualidade e voz afinada, Peter Gabriel fez uma apresentação memorável. O problema é que a proposta de seu espetáculo não combinou com o festival. Em português, o cantor anunciou versões orquestradas de músicas como Heroes, Wallflower e Rhythm Of The Heart. O resultado: um público frio. Muitos assistiram ao show sentados no chão.

A grande atração da noite, no entanto, estava por vir. A banda de hard rock e blues Lynyrd Skynyrd relembrou o público que aquilo ali era um festival de rock. Sem frescuras, o grupo da Flórida interpretou seus principais sucessos vigorosamente, e deixou para o final os clássicos Sweet Home Alabama e Free Bird. Os bravos espectadores que aguentaram até o fim dessa maratona, por volta de 1h30, certamente deixaram a arena do SWU de alma lavada.

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