SWU é bem mais roqueiro do que o Rock in Rio

Estadão

07 de novembro de 2011 | 06h38

Marcelo Moreira

Depois de uma edição extremamente decepcionante (para quem gosta de rock) em 2010, o Festival de SWU surpreende neste ano e espalha atrações roqueiras pelos seus três dias de duração. Mais do que isso, conseguiu ser mais roqueiro que o próprio Rock in Rio 2011, embora sem tantos nomes de peso. O SWU de Paulínia, interior de São Paulo, é o verdadeiro Rock in Rio, fazendo jus ao gênero musical.

Mais homogêneo e menos pretensioso, mas também coalhado com excrescências musicais, o SWU faz mais sentido em termos de música pop sem ter de apelar demais, como foi o caso da produção do Rock in Rio. Nem tanto ao business, parece ter sido a mensagem de quem elaborou o elenco do festival paulista.

Os grandes nomes, sem dúvida, são Peter Gabriel, Megadeth e Lynyrd Skynyrd. O cantor inglês, lenda do rock progressivo quando liderava o mágico Genesis nos anos 70, transformou-se em um artista inquieto e vanguardista em suas empreitadas como artista solo.

Formação atual do Lynyrd Skynyrd

 Experimental e pop ao mesmo tempo, precisou de dez anos para que explodisse nas paradas com a radiofônica “Sledgehammer”, do platinado álbum “Up”, o mesmo que traz o hino “Biko”. Gabriel seria o toque de seriedade e classe a um festival marcado por atrações que remetem invariavelmente ao mercado alternativo.

O Megadeth responde pela parte mais pesada do evento. Promovendo seu novo trabalho, o razoável “Th1rt33n”, o quarteto de Dave Mustaine vem embalado por uma turnê muito bem-sucedida com o Big Four – ao lado de Metallica, Slayer e Anthrax. Velhos frequentadores dos palcos brasileiros, Mustaine e seus companheiros prometem algumas novidades no show do SWU.

Já o Lynyrd Skynyrd mostra uma outra tentativa, a de mostrar que  classic rock pode sim andar de lado com artistas mais jovens e mais antenados com o século XXI. A aposta foi certeira, já que o grupo de southern rock, o mais importante do gênero ao lado dos Allman Brothers, é uma antiga reivindicação do público roqueiro brasileiro mais velho.

Hoje liderado por Johnny Van Zandt, vocalista que é irmão do fundador, o cantor Ronnie Van Zandt – morto em acidente aéreo em 1977 que vitimou a banda, onde outros dois integrantes também perderam a vida -, o Lynyrd Skynyrd consegue manter um pouco da centelha e da pegada da formação clássica da banda, justamente aquela dilacerada pelo acidente.

Peter Gabriel e orquestra tocando em Roma, em setembro passado (REUTERS/Denis Balibouse)

Seus shows, em que pese a extrema patriotada ianque que domina a galera em determinadas partes, são verdadeiras celebrações e também costumam ser aulas de como fazer rock bem feito sem ter de recorrer a expedientes aleatórios. É uma grande chance para ver ao vivo hits como “Freebird”, “Simple Man”, “Red, White and Blue” e “Sweet Home Alabama”.

Outra particularidade do SWU é o resgate, intencional ou não, dos anos 90, em especial da parcela grunge e alternativa. O desfile de atrações do gênero começa pelo renascido Alice in Chains, passado pelo Hole, da viúva nirvana Coutney Love, até chegar ao segundo escalão daquela época, como o fraco Stone Temple Pilots.

Pelo menos, para contrabalançar, temos o cantor Chris Cornell, que voltou a cantar com o Soundgarden, que costuma fazer apresentações mais calmas e com mais conteúdo. No lado oposto, para fazer barulho, há o ex-baixista do Guns N’Roses Duff McKagan, com sua banda de hard rock Duff McKagan’s Sick Loaded. Meio deslocada no festival, costuma fazer apresentações mornas em locais grandes, mas tem de ser conferido.

Para os nostálgicos dos anos 80 será interessante rever o Duran Duran, ícone inglês synth pop e símbolo máximo de todos os excessos de produção que caracterizaram parte do pop inglês daquela década. Mais comedidos e menos suntuosos, os integrantes prometem um show equilibrado entre os ventos do passado e a modernidade do pop atual, como se pude perceber no elogiado último trabalho, “All You Need is Now”.

Pouco comentado, mas certamente uma das melhores atrações do festival – senão a melhor – é o combo de blues Tedeschi Trucks Band, liderado pelos guitarristas Derek Trucks e Susan Tedeschi, que são casados na vida além do palco. Trucks fez parte da geração de prodígios do blues dos ans 90 ao lado de Jonny Lang, Kenny Wayne Shepherd e Natahn Cavaleri.

Roger Moreira em show do Ultraje a Rigor: única banda brasileira de destaque no SWU (FOTO: EPITACIO PESSOA/AE)

Sobrinho do percussionista Butch Trucks, um dos expoentes máximos dos Allman Brothers, acabou integrando esta banda na década passada sem abandonar a carreira solo. Neste projeto com a mulher – apesar de nova, é uma veterana da cena blueseira do sul norte-americano -, faz um resgate de um estilo musical bastante tradicional, calcado na mistura de jazz e blues interioranos. O álbum “Revelator”, recém-lançado, é um dos grandes discos do ano nos Estados Unidos.

 Entre as demais atrações roqueiras, merecem destaque Primus, Sonic Youth e Down. O Primus é a banda do baixista virtuoso Les Claypool, conhecido por ser exímio em seu instrumento, mas também pelas esquisitices que sua banda comete. Dentro do festival é mais uma curiosidade do que uma grande atração em si,

O Sonic Youth é sinônimo e cenário alternativo, apesar de sua fama jpa ter ultrapassado esse gueto, pois são quase 30 anos de carreira. Sem dar muita bola para  mercado e caindo de cabeça em experimentalismos sonoros, conquistou respeito da crítica e do público a partir dos anos 90.

Quem for ao SWU e assistir ao show do quarteto pode ser um felizardo ao ver o que pode ser o último show da banda, já que o casal que lidera, o guitarrista e vocalista Thurston Moore e a baixista e vocalista Kim Gordon, anunciou há um mês que terminaram o casamento de 25 anos, fato que influnciará decisivamente na continuidade da banda.

A banda Down finalmente virá ao Brasil após quase dez aanos de tentativas de produtores. Este é um dos projetos do vocalista Phil Anselmo, ex-Pantera, e transita entre o heavy metal e o stoner metal, fugindo da pegada quase thrash de sua ex-banda – a porrada extrema Anselmo deixa para outro projeto, o Superjoint Ritual. O show do Down é imperdível para quem gosta de som pesado.

Vale a pena ainda dar uma olhada no Black Rebel Motorcycle Club, grupo californiano que mescal influências garageiras e de bandas como Jesus and Mary Chain. Entre os brasileiros, lamentavelmete, o único nome de destaque é o veterano Ultraje a Rigor, que aprssentará a competência de sempre, mas sem grandes novidades.

 

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