SWU decepciona tanto quanto o Rock in Rio

Estadão

16 de novembro de 2011 | 06h27

Marcelo Moreira

Mais eclético e mais roqueiro que o Rock in Rio, mas igualmente decepcionante. O Festival SWU, em termos musicais, pouco acrescentou ou inovou. Muito menos teve um grande show que mereça um grande destaque. Os medalhões mostraram o que prometiam, com qualidade, e os coadjuvantes, de quem se poderia esperar algo um pouco diferente ou minimamente surpreendente, jogaram apenas pelo empate.

Peter Gabriel e Lynyrd Skynyrd, as grandes atrações, fizeram o que se esperavam deles. O ex-vocalista do Genesis tocou com orquestra alguns de seus maiores hits e também alguns covers presentes em seu penúltimo álbum. Foi uma apresentação interessante, correta, mas de certa forma anticlimática. Uma apresentação para ver e ouvir, mas não para se esbaldar.

Lynyrd Skynyrd foi bem mais empolgante e conseguiu impregnar o local dos shows, em Paulínia, com o legítimo rock’n roll, principalmente diante das guitarras afiadas e da presença de palco excelente do vocalista Johnny Van Zandt. E tome desfile de clássicos: “Simple Man”, “Freebird”, “Sweet Home Alabama”, “Call Me the Breeze”…

O Megadeth também ganhou a plateia com seu thrash metal moderno e energético. Apesar de fazer um set mais curto do que o normal, conseguiu marcar sua presença com bastante peso e também com muitos hits.

Tecnicamente de alta qualidade, o Megadeth pecou um pouco pela secura e pelo extremo “profissionalismo” – ou seja, de tão técnica e tão programada/ cronometrada, ficou uma impressão de certo artificialismo e pouca empatia.

Lynyrd Skynyrd injetou o verdadeiro rock'n roll no SWU (FOTO DANIEL TEIXEIRA/AE)

O público, entretanto não deu muita bola para isso e nem para a falta de ousadia no repertório. Sem arriscar, o Megadeth despejou os clássicos de sempre – “Trust”, “Hangar 18”, “A Tout Le Monde”, “Symphony of Destruction”, “Peace Sells “, “Holy Wars… The Punishment Due” e mais alguns.

Entre as atrações dos anos 90, o que mais agradou foi o Alice in Chains, com um surpreendente peso que não existia na época do grunge, embora seu show tenha sido bastante previsível.

O vocalista William DuVall, que substitui o falecido Layne Staley, tão criticado nos álbuns mais recentes, acabou se tornando o ponto alto da apresentação. Para quem não esperava nada de qualquer coisa do grunge, até que mostrou alguma qualidade, mas insuficiente para fazer um show decente – seria impossível, afinal, é uma banda grunge.

Stone Temple Pilots e Hole variaram suas apresentações entre o tedioso e o constrangedor. Não deixarão nenhuma saudade, assim como bandinhas alternativas insossas, como Ash e a inglesa esquisita !!!. O Sonic Youth até que tentou se mostrar alternativo do alternartivo, mas fez mais do mesmo e aumentou o tédio de parte da plateia.

Dave Mustaine, do Megadeth: bom show, embora 'perfeitinho' demais (FOTO TIAGO QUEIROZ/AE)

Entre aquelas que poderiam ter feito muito mais estão o Down e o Faith No More. As duas bandas fizeram apresentações corretas e com bom nível de qualidade, mas ficou a impressão de que faltou alguma coisa, já que sempre fazem shows insanos e estupendos – quem não se lembra do Faith No More no Rock in Rio 2?

Tudo bem que o Faith No More não é mais o mesmo e que vem de uma longa interrupção de atividades, mas um show do Faith No More é garantia de ao menos coisas inusitadas, divertidas ou diferentes. Não foi isso o que aconteceu.

O Down, de Phil Anselmo, ex-Pantera, abusou da fama e da pose de mau, conseguiram fazer bastante barulho, colocaram a parte metaleira do público para pular e gritar, mas também ficou faltando algo. Anselmo é carismático, é experiente e sabe como conduzir um show de metal, mas poderia ter ido além do que fez – quem já assistiu a algum DVD da banda gravado na década passada sabe como o grupo beira a insanidade em relação ao peso, à distorção e à energia.

O Black Rebel Motorcycle Club era uma das bandas que depertavam mais interesse e curiosidade, por conta de um estilo que mistura várias tendências. Com um misto de heavy metal com punk, surpreendeu parte do público do SWU com seu carisma e boa presença de palco. Nada que Agnostic Front ou Madball não tenham feito, ou até mesmo Bad Brains, mas pelo menos deu mais uma pitada de peso em um festival que tinha muita coisa “soft” – e chata.

A Tedeschi Trucks Band soou totalmente deslocada em um evento marcado por bandas supostamente alternativas e melancólicas. O blues do casal Susan Tedeschi e Derek Trucks agradou os poucos que tiveram curiosidade de vê-los, mas ficou claro que a banda destoava totalmente, o que foi uma pena, pois é uma atração de peso na cena blueseira atual.

Motivo de piadas nas vésperas do evento, o Duran Duran mostrou a competência de sempre e um vigor digno de nota em uma apresentação previsível. Se os ingleses não foram burocráticos, tampouco causaram o frenesi que prometiam nas entrevistas antes de chegar ao país.

Assim como outros medalhões, enfileiraram hits, como “Reflex”, “Rio”, Wild Boys”, “Ordinary World”, “A View to a Kill”, mas o clima de cumprimento de tabela custou a ser vencido. Foram poucos os momentos em que a banda empolgou a plateia, mas mesmo assim conseguiu terminar ao menos com dignidade.

A segunda edição do SWU foi melhor do que a primeira, mas musicalmente precisa melhorar bastante para uma eventual terceira…

 

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