Suicidal Tendencies fez show curto e vibrante na volta ao Clash Club em SP

Estadão

04 Setembro 2013 | 17h00

Flávio Leonel – blog Roque Reverso

Agosto ficou para trás, mas a cidade de São Paulo contou com shows internacionais interessantes e dignos do bom rock pesado. Depois de o Soulfly, de Max Cavalera, tocar no Carioca Club no dia 25, foi a vez de o Suicidal Tendencies passar pela capital paulista no dia 29, no Clash Club, mesma casa onde havia tocado em 2012 numa apresentação das mais selvagens.

A despeito de fazer um show menos intenso e mais curto que o do ano passado, o Suicidal não deixou de trazer ao palco sua vibração característica. O público, de maneira diferente da observada em 2012, não transformou o Clash Club no mesmo cenário alucinante da vez anterior, mas saiu satisfeito com o que viu.

Talvez seja exatamente por isso que a apresentação de 2012 tenha sido inferior à de 2013. Se, no ano passado, a apresentação espetacular na Virada Cultural fez com que os fãs de carteirinha desejassem “uma dose a mais” no Clash Club, fazendo com que o local virasse um verdadeiro turbilhão humano, em 2013, a vibração mais intensa ficou restrita ao público mais próximo do palco, enquanto, do meio para trás, as pessoas agitaram um pouco menos.

Para alguns, um dos motivos foi o palco baixo, que obrigava muita gente a esticar o pescoço para tentar ver alguma coisa.  Para quem estava próximo, porém, o cenário de caos reinou, com rodas de mosh, pessoas levantadas e “surfando” pela plateia e até stage divings, mesmo com os seguranças tentando impedir.

O fato é que, apesar deste detalhe de parte do público um pouco mais morna do que o normal, o Suicidal continua fazendo shows que não podem ser perdidos. Quem é louco, por exemplo, de deixar de ir à apresentação de uma banda que tem músicas, como “You Can’t Bring Me  Down” e “War Inside My Head” no repertório?

Elas valem cada centavo gasto, raramente deixam de ser incluídas no set list e são garantia de diversão e agito. Não por acaso, o Suicidal abriu o show com “You Can’t Bring Me  Down” e levou a temperatura do show ao grau máximo logo de cara.

O carismático vocalista Mike Muir se movimentava sem parar e era ajudado pelo restante da banda no incentivo para o público participar do show. Vale lembrar que dois componentes do grupo que tocaram em 2012 em São Paulo deixaram o Suicidal: o guitarrista da formação clássica, Mike Clark, e o ótimo baixista Steve Brunner, que havia sido o grande nome da apresentação no Clash Club no ano passado.

No lugar de Mike Clark, estava o jovem Nico Santora. No lugar de Brunner, ficou o não menos competente Tim “Rawbiz”  Williams, que também detonou no baixo. Completavam a banda o ótimo baterista Eric Moore e o competente Dean Pleasants.

Após a música inicial, o Suicidal trouxe a primeira do novo álbum “13?, que foi lançado em março. “Smash It” foi bem recebida pelo público e serviu de ponte para o clássico “War Inside My Head”.

A canção do disco ”Join the Army”, de 1987, manteve a tradição de ser entoada por toda a plateia e mostrou por que o Suicidal continua levantando multidões até hoje.

Empolgados, os fãs gritaram o tradicional “S.T.” e viram a banda executando de uma só vez “Subliminal”, ”Slam City” e ”Who’s  Afraid?”, estas duas últimas também do novo álbum.

Dando sequência a apresentação do seu trabalho mais recente, o Suicidal Tendencies tocou pela primeira vez “Cyco Style”, cujo videoclipe havia sido gravado no ano passado durante os shows em São Paulo. Mike Muir, por sinal, disse que nunca havia executado a música ao vivo porque o grupo sabia que a ocasião perfeita ainda aconteceria aqui no Brasil.

Depois da série de canções novas, foi a vez de a banda trazer só antigas. “Possessed to Skate”, “Cyco Vision” e “Freedumb” garantiram o público vidrado no show e foram seguidas por “I Saw  Your Mommy”, “How Will I Laugh Tomorrow” e “Pledge Your Allegiance”.

Esta última, que fechou o show, contou com algumas grades que separavam o público da banda sendo derrubadas. Numa cena bizarra e ao mesmo tempo perigosa, os fãs viram essas grades sendo carregadas sobre suas cabeças até a lateral direita do palco.

Em pouco mais de uma hora, o Suicidal Tendencies fez mais uma vez a alegria do público paulistano e mostrou que já tem uma simpatia pela cidade, já que tende a usar as cenas do show para um novo clipe. Pelo jeito, a cidade não vai demorar muito para ver esta clássica banda novamente por aqui. E quem vai reclamar?

Para relembrar bons momentos do show do Suicidal no Clash Club, o Roque Reverso descolou três vídeos no YouTube. Para começar, fique com a indispensável “War Inside My Head”.  Depois, veja “Cyco Style” e “Possessed to Skate”.

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