Stones no auge da criatividade em 'Ladies and Gentlemen'

Estadão

12 de fevereiro de 2011 | 23h32

Marcelo Moreira

O baú dos Rolling Stones é mais daqueles que não tem fim. Primeiro foi a maravilhosa caixa de quatro DVDs – “The Biggest Bang” – que registrou a turnê mundial de 2006, e que deve ser relançada ainda neste ano. Depois o excelente documentário “Stones in Exile”, que registra os bastidores das gravações do álbum “Exile on Main Street” na França, em 1971.

Agora é a vez de “Ladies and Gentlemen”, que capta um show da banda em 1972 no Texas, justamente na turnê de “Exile”. O registro é histórico, apesar de não muito bem gravado. Traz o que de melhor a banda era capaz de fazer em um palco em seu auge criativo e musical – embora a turnê americana de 1969 tenha sido a melhor de todas nos quase 50 anos de carreia dos Stones.

O filme original retratando trechos de quatro noites texanas foi exibido nos cinemas durante um período limitado de tempo, em 1974, e depois desapareceu do mercado. Agora, restaurado e remasterizado, reaparece em DVD incluindo um conteúdo extra como um ensaio da banda na Suíça para a turnê e entrevistas com Mick Jagger.

A comparação é inevitável. Os Stones de “The Biggest band”, especialmente na apresentação na praia de Copacabana para 1,5 milhão de pessoas, são uma banda perfeita, competente e profissional até demais. Tem megaestrutura, músicos de apoio e equipamentos de áudi e vídeo de última geração.

Os shows texanos de 1972, ao contrário, são toscos e chegam a incomodar de vez em quando por conta das falhas de captação de áudio. A iluminação é fraca, e pouco se vê do público. Entretanto, a performance faz toda a diferença.

 São só os cinco Stones no palco, detonando e carregando na dramaticidade e teatralidade, só que com uma espontaneidade que ainda prevalecia, apesar de já serem a melhor do bndo à época. Nada de exibição virtuosa, nada de perfeição. É instinto puro, com erros e mudanças de arranjos que demonstram que o quinteto era tudo de bom, mas falível e menos engessado por uma estrutura profissional e gigante.

 Também em 1972 os Rolling Stones eram uma banda mais blueseira,já que a guitarra de Mick Taylor, o ex-Bluesbreakers de John Mayall, fazia toda a diferença.  “Brown Sugar”, “Bitch” e “Dead Flowers”, três clássicos do álbum de 1971, “Sticky Fingers”, fazem a abertura bombástica.  “Love in Vain”, de Robert Johnson, reaparece, sem a mesma garra da versão do álbum “Get Yer Ya-Ya’s Out”, de 1970, gravado ao vivo em dezembro de 1969 em Nova York.

Ponto negativo fica por conta das poucas faixas de “Exile” no DVD. “Tumblin’ Dice” virou música obrigatória desde então na sapresentações da banda, assim como “Happy”, cantada por Keith Richards. “Sweet Virgina” dá o toque country, apesar de não ter funcionado muito bem ao vivo. “Rip This Joint” e All Down the Line”, por outro lado, tinham potencial para se manterem no repertório. Cinco músicas do melhor disco da carreira deles, muito pouco…

As demais músicas são as de sempre, clássicos forjados para sustentar apresentações de três horas, como “Jumpin’ Jack Flash”, “Sreet Fighting Man”, “Brown Sugar” e “Dead Flowers”. O destaque, contudo, é para a fantástica suíte “Midnight Rambler”, com suas mudanças de andamento e guitarras blueseiras. Obrigatório na coleção de quem gosta de rock.

 LADIES & GENTLEMEN: THE ROLLING STONES
DIREÇÃO Rollin Bizzer
LANÇAMENTO ST2
QUANTO R$ 36
AVALIAÇÃO Ótimo

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