Status Quo beneficente prepara o 'cinquentenário'

Estadão

01 de janeiro de 2011 | 16h33

Marcelo Moreira

Uma banda tão antiga quanto os Kinks e os Rolling Stones, mas sem metade do prestígio e do sucesso. O Status Quo entra em qualquer lista de bandas injustiçadas, daquelas que deveriam ter tido sucesso absoluto, vendido milhões de álbuns, assimo como Foghat, Saxon, Slade, Free e muitas outras.

Ainda assim, quem conversa com Francis Rossi e Rick Parfitt, a dupla de guitarristas que carrega a banda nas costas desde 1965, leva na boa e no bom humor o fato de que nunca terem estourado – não como imaginamos. Venderam bastante, foram massacrados pela crítica, conquistaram fãs ardorosos, e mantêm o pique esperando que um dia seja mais reconhecidos do que foram.

Desde o ano 2000 não passam dois sem lançar novo material. Agora em 2010 regravaram um sucesso de 1986 da banda, “In the Army Now”, uma canção anti-belicista, mas que está servindo de amparo a uma fundação que cuida de ex-soldados debilitados, doentes ou simplesmente desamparados.

A nova versão da música foi gravada com o acompanhamento da Corps of Army Music Choir, um dos corais mais bem concietuados da Inglaterra, em benefício da instituição Help For Heroes and The British Army Foundation. Não é o boogie rock de sempre, mas é uma versão com mais glamour, mais emotiva, e ao mesmo tempo mais “para cima”.

Ao mesmo tempo, Francis Rossi, um dos líderes da banda, coloca no mercado seu novo álbum solo, “One Step at a Time”, mais introspectivo e menos elétrico do que os álbuns do Status Quo.

Na verdade, tanto pelas letras como pela forma como as melodias foram construídas, é um álbum do Status Quo sem o restante da banda. Não acrescenta muito à carreira do guitarrista, embora seja um bom trabalho.

Nada mal para quem começou o grupo em 1962, no mesmo ano em que os irmãos Ray e Dave Davies formavam os Kinks. Rossi sofreu para achar a formação ideal, mas sempre teve como fiel escudeiro o baixista Alan Lancaster, co-fundador.

O baterista John Coghlan entrou no ano seguinte, mas finalmente a banda começou a ver que poderia dar certo em 1965, quando conheceu Rick Parfitt, que entrou para a banda e dividiu os solos de guitarra e os vocais com Rossi. O nome Status Quo só surgiu em 1967, quando finalmente o grupo se estabilizou como um quarteto.

Foram 28 álbuns em 48 anos de carreira – senso 42 de lançamentos fonográficos. Coghlan abandonou o barco em 1981, desgostoso com os colegas e com o mercado. Já Lancaster não engoliu o falso “fim” da banda em 1985.

Já vinha tendo desentendimentos com a dupla de guitarristas que tomou conta do grupo e acabou ignorado quando Rossi e Parfitt retomaram a banda em 1986, com o fraco álbum “In the Army Now”, apesar do sucesso da faixa-título. A banda se mantém na ativa até hoje, alé, de Rossi e Parfitt, com John “Rhino” Edwards (baixo e guitarra), Andy Bown (teclado e guitarra) e Matt Letley (bateria).

Seus melhores trabalhos são “Ma Kelly’s Greasy Spoon” (1970), “Dogs of Two Heads” (1971), “Piledriver” (1972), “Blue for You” (1976) e “Rockin’ All Over the World” (1977).

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