'Stalingrad' consolida o retorno magistral do Accept

Estadão

18 de abril de 2012 | 06h51

Marcelo Moreira

Quando a banda alemã Accept começou a ganhar destaque fora de seu país, no início dos anos 80, enfrentou forte resistência de um grupo de roqueiros tradicionalistas que não aceitavam o vocal rouco e rasgado à la Pato Donald do cantor Udo Dirkschneider.

Duas turnês turnês de muito sucesso pelo Japão mudaram o humor de críticos americanos e ingleses e os álbuns “Restless and Wild”, “Balls to the Wall” e “Metal Heart” transformaram o quinteto na banda mais importante da Alemanha depois do Scorpions.

O sucesso trouxe as desavenças. Udo saiu em 1987, voltou em 1993, saiu de novo para somente retornar em uma turnê comemorativa em 2004, para finalmente informar que nunca mais se reuniria com os antigos companheiros. Foram necessários cinco anos para que o Accept acertasse os ponteiros e finalmente achasse o norte-americano Mark Tornillo para tentar substituir Dirkschneider. Só que ninguém poderia imaginar que daria tão certo.

“Stalingrad” é o segundo álbum com o novo vocalista, recém-lançado na Europa e com aceitação ótima pela crítica especializada. “Blood of the Nations”, o anterior, entrou em quase todas as listas de melhores do ano de 2010. Pesado e com guitarras cortantes, mostrou que o Accept não só se recuperara como se reinventara, modernizando o som e tornando o som das guitarras gêmeas de Wolf Hoffman e Herman Frank ainda mais potente.

Pois “Stalingrad” é ainda melhor do que “Blood of the Nations”. Se não tem de cara uma música que possa se tornar um hit, o álbum é conceitual e traz músicas mais longas e com aranjos intrincados, tudo com a embalagem pesada , densa e claustrofóbica da produção moderna de Andy Sneap (que já trabalhou com Arch Enemy, Nevermore, Exodus, Machine Head e muitos outros).

Como o nome do álbum denuncia, aborda um tema difícil de ser transformado em música: a cidade russa que foi palco da mais sangrenta batalha da Segunda Guerra Mundial, cercada pelos alemães enytre 1942 e 1943  ena qual morreram perto de 2 milhões de pessoas, entre soldados e civis.

O fato de quatro integrantes serem alemães não intimidou o grupo na hora de compor e escrever as letras. As músicas são dinâmicas e pesadas, mas que conservam a carga dramática necessária que o tema conceitual da guerra exige. Alguns temas têm a narração histórica do ponto de vista da história, mas outras assumem claramente o sentimento dos soldados diante do inferno que se tornou a cidade em ruínas.

Tornillo mostra novamente que se encaixou perfeitamente à banda, mas é a dupla de guitarristas que brilha. Sobram técnica e virtuosismo, mas nada em excesso. Memso nas passagens mais rápidas Hoffman e Frank conseguiram estabelecer diálogo constanted e simbióticod carregados de dramaticidade.

A abertura explosiva com “Hung, Drawn and Quartered” dá o tom do álbum, sendo seguida pela épica “Stalingrad”, o primeiro single e provavelmente a melhor faixa. Merecem destaque ainda “Revolution” e “Against the World”, rápidas e cruas, além da emocionante balada “Shadow Soldiers”. “Stalingrad” é um dfos grandes lançamentos do ano e consolida o resgate do Accept do limbo.

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