ST2 lança documentário sobre os anos de chumbo do Deep Purple

Estadão

20 Dezembro 2011 | 17h00

Marcelo Moreira

Um dos ótimos DVDs roqueiros lançados neste ano chega ao Brasil, finalmente, em edição nacional. “Phoenix Rising”, do Deep Purple, foi licenciado pela ST2, que há quase dez anos traz excelentes opções principalmente em vídeo para quem gosta de boa música. Está prevista também o lançamento em CD do show contido na obra.

O documentário é estupendo porque mostra um lado pouco conhecido do quinteto, então em sua quarta formação. Na verdade, mostra um lado raro de qualquer artista, seja qual o gênero. A fita é um retrato amargo, mas muito sincero, de uma banda esfarelando, com músicos entupidos de drogas e fazendo apresentações lamentáveis.

Normalmente essa é a visão revelada do Deep Purple em sua fase Mark IV, a quarta encarnação, que durou do começo de 1975 ao final de 1976. É a fase que marca a saída do guitarrista Ritchie Blackmore e a entrada do norte-americano Tommy Bolin.

O retrato é verdadeiro em muitas partes, como bem já declararam o vocalista David Coverdale e o baixista e vocalista Glenn Hughes, integrantes da banda à época – completada pelos membros fundadores Jon Lord (teclados) e Ian Paice (bateria). Só que nem tudo era fim de feira e esbórnia total.

São mais de duas horas de um documentário muito bem feito, contando todos os podres, mas também as muitas coisas boas produzidas pela banda naquele período. A obra tem, por exemplo, 30 minutos de imagens inéditas direto do palco captadas em uma raríssima apresentação no Japão.

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Boas e longas entrevistas com o tecladista Jon Lord e o baixista Glenn Hughes contam a história de uma banda de uma banda que tentava se equilibrar depois de sofrer seguidas baixas – o vocalista Ian Gillan e o baixista Roger Glover haviam partido no final de 1973 e Blackmore, em meados de 1975.

Os inéditos 30 minutos do bootleg então conhecido como “Rises Over Japan” tem a formação conhecida como Mark IV se apresentando em 1976 com oito músicas – “Burn”, “Getting Tighter”, “Love Child”, “Smoke On The Water”, “Lazy”, “Homeward Strut”, “You Keep On Moving” e “Stormbringer” (o pacote de disco duplo contém essas oito músicas em CD). Esse segmento é uma das poucas imagens em vídeo que mostram Tommy Bolin em performance no Deep Purple.

O pacote de novidades da ST2 para este final de ano está bem recheado com outras boas opções. No combo CD/DVD, o destaque é “Live at Montreux 2010”, que registra uma das últimas apresentações de Gary Moore, que morreu no primeiro semestre deste ano. O show mistura clássicos de sua fase hard rock com os hits blueseiros dos anos 90.

Em DVD, vale lembrar “Rock’n Roll Party”, de Jeff Beck, que mostra um show gravado em 2010 em homenagem ao grande guitarrista e luthier Les Paul; e o mago da guitarra Rory Gallagher, com o maravilhoso show “Irish 74”, que retrata os melhores momentos da turnê irlandesa daquele ano.

Em CD, um destaque é “Twisted Sister – Limited Collector’s Edition”, uma caixa com quatro CDs – “Come Out and Play”, “Love is For Suckers”, “You Can’t Stop Rock’n Roll” e “Club Daze vol. 1”– , um bom apanhado da carreira desta excelente banda norte-americana de hard rock.

Na área do classic rock, uma grande pérola, “Paul Rodgers & Friends – Live At Montreux 1994”, um show extraordinário gravado em julho de 1994, na turnê de divulgação do álbum “Muddy Water Blues”, de Paul Rodgers (foi vocalista do Bad Company, Free e Queen + Paul Rodgers).

A banda de Rodgers incluía Jason Bonham, na bateria, Neal Schon, do Journey, na guitarra, e, no baixo, John Smithson. Uma série de convidados se reuniu a eles durante a noite, entre eles Brian May (Queen), Steve Lukather, Eddie Kirkland, Sherman Robertson e Luther Allison.