Soulspell, a melhor ópera-metal nacional, chega à terceira parte

Estadão

04 de dezembro de 2012 | 06h45

Marcelo Moreira

As chamadas óperas-rock saíram de moda ainda nos anos 70, depois da megaexposição de obras como “Tommy”, do Who, “Jesus Christ Superstar” e “The Wall”, do Pink Floyd, que, além de LPs/CDs, viraram filmes, livros, peças de teatro, musicais da Broadway e uma infinidade de outros produtos.

Nos anos 90, artistas de heavy metal de várias partes do mundo resgataram o estilo e houve mais uma enxurrada de trabalhos do gêneros, a maioria de excelente qualidade, como a ópera-rock “Aina”, os vários CDs duplos da banda holandesa Ayreon e os trabalhos realizados pelo projeto Avantasia, de Tobias Sammet (Edguy), e do guitarrista búlgaro Nikolo Kotzev.

A febre chegou até o Brasil, com a edição em 2002 do maravilhoso álbum “William Shakespeare’s Hamlet”, com 27 poemas musicados do escritor inglês adaptados pelo poeta Adriano Villa, em projeto abraçado pela Die Hard Records e que reuniu alguns dos melhores músicos do metal nacional.

Entretanto, o melhor exemplo brasileiro é a série de CDs do projeto Soulspell, do baterista e compositor Heleno Vale, de São Carlos (SP). O terceiro álbum acaba de chegar às lojas pela Hellion Records, no Brasil.

“Act III: Horror’s Gathering”, assim como os dois volumes anteriores, traz a nata de instrumentistas e cantores brasileiros de rock pesado, mas a grande novidade é a presença maciça de convidados estrangeiros, com destaque para estrelas do porte de Tim “Ripper” Owens, que já cantou no Judas Priest e no Iced Earth, Blaze Bayley, que substituiu Bruce Dickinson no Iron Maiden, Markus Grosskopf (baixista do Helloween) e Amanda Somerville, cantora americana que participa de vários projetos na Europa, entre eles Avantasia e Kiske-Somerville. Cada artista que participou do álbum gravou em estúdios espalhados pelo mundo.

“Claro que, gravando em diversos estúdios, torna-se mais difícil uniformizar o disco, porém, com um produtor tão bom quanto o do Soulspell, Tito Falaschi, e com artistas de pós-produção tão maravilhosos quanto Matt Smith (Theocracy) na mixagem e Miro Rodenberg (Avantasia) na masterização, tudo fica mais simples. Acredito que conseguimos tirar um som equilibrado e mais agradável do que a sonoridade dos discos anteriores, mesmo com gravações de inúmeros estúdios diferentes”, diz Vale.

No total, entre gravações e pós-produção, gastamos cerca de dois anos e meio, pois começamos o terceiro álbum antes mesmo do término do disco anterior. Somente para a finalização, mixagem e masterização, foram gastos quase seis meses.

O compositor estabeleceu critérios para a escalação de cada músico, de acordo com cada personagem da saga fantástica narrada em “Soulspell”. “O critério básico foi o timbre de voz mais adequado a cada estilo de personagem. Um timbre adequado sem a interpretação adequada de nada nos serve. Portanto, há méritos de todos os vocalistas participantes por terem imergido na história e no personagem para as gravações.”

A história criada por Heleno Vale tem elementos fantásticos e uma pegada de ficção científica, embora os personagens vivam nos dias atuais, mas suas decisões a respeito de como lidar com conflitos internos, por exemplo, afetam as vidas de todos no presente, no passado e no futuro, tudo com fatos históricos entrelaçados a toda a trama.

O texto ressalta a força da crença, mostrando como os eventos nas vidas de um garoto de 15 anos e de um dragão, por exemplo, pode influenciar vidas em outras dimensões.

Entre os músicos brasileiros ganham o destaque o produtor, guitarrista, baixista e vocalista Tito Falaschi, os cantores Mario Pastore (Pastore), Leandro Caçoilo (ex-Eterna) e Nando Fernandes (ex-Hangar), as cantoras Daísa Munhoz (Vandroya) e Ligia Ishitani e o tecladista Fábio Laguna.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.