Sons do The xx em 'repeat'

Estadão

31 de agosto de 2012 | 22h53

Roberto Nascimento

O frenesi em torno do primeiro disco do The xx, lançado no fim de 2009, não foi apenas produto de um hit, mas de uma visão estética. O “lover’s rock”, como dizem, de vocais recatados, produção intensamente intimista, concebido pela banda, não era apenas um deleite auditivo.

Destoava de tudo que definira tendências no ano, seduzindo multidões inversamente proporcionais à agressividade do som. Três anos após o justo hype causado pelo álbum, The xx volta com Coexist, disco que chega às lojas em setembro, mas tem sido divulgado no YouTube e outros lugares.

Desta vez não há elemento surpresa. Já esperávamos os sussurros e as visões de amor na calada da noite sugeridos pela melancólica dupla Romey Madley Croft e Oliver Sim, ambos sustentados pela produção minimalista de Jamie xx.

O que não era esperado (ou o que era talvez indesejado, inconscientemente) era que o grupo iria sentir-se tão confortável dentro da timidez e do intimismo do primeiro disco a ponto de dar continuidade óbvia e popularesca a esta receita no segundo.

Canções como Missing ou Fiction parecem feitas com pouco esforço, e o sofrimento incontestavelmente cool que se captava entre as sombras da estreia parece comoditizado para dar a fãs exatamente o esperado. Em outras palavras, o público do The xx virou público-alvo. Nas bases, Jamie xx dá pitadas de dubstep a la Burial e beats que lembram Everything But the Girl. O lema é: em time que ganha não se mexe. Ou não.

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