Soft rock e esquizofrenia sonora são marcas do show de Ringo

Estadão

03 de novembro de 2011 | 22h04

Jotabê Medeiros – O Estado de S. Paulo
 
Ringo Starr se apresentou no Auditório Nacional, na Cidade do México - Marco Ugarte/AP
Marco Ugarte/AP
Ringo Starr se apresentou no Auditório Nacional, na Cidade do México

O show de Ringo Starr pode ser definido mais ou menos assim: músico milionário ultrafamoso entediado do golfe resolveu fazer uma turnê, mas não queria dureza e encarregou vários amigos aposentados do golfe semanal de darem uma força. Imaginou que assim chegaria ao hole-in-one, mas o que aconteceu é que se afastou do seu objetivo irremediavelmente.

Foi mais ou menos o que aconteceu na noite de anteontem, no Auditório Nacional, na Cidade do México, na estreia da novíssima turnê da All Starr Band de Ringo Starr, baterista dos Beatles que vem ao Brasil pela primeira vez na vida para sete shows. Foram quase duas horas de concerto, com 22 canções no roteiro. Em São Paulo, o batera toca nos próximos dias 12 e 13 no Credicard Hall.

Ladeado por um grupo de músicos muito simpáticos, mas que curiosamente celebrizaram-se todos por um único hit em sua carreira musical – caso dos integrantes de bandas extintas como The McCoys, The Romantics, Mr. Mister -, Ringo transpira pouco e acaba virando um coadjuvante em seu próprio show. Não seria um problema, se o grupo que o acompanha fosse notável, mas não é. É um exército de soft rock perdido em algum limbo dos anos 1970 e 1980. E há um grande desequilíbrio entre eles.

A banda do tipo “one hit wonder” acaba empilhando um lote de canções que não têm a menor ligação entre si. Por exemplo: o tecladista Edgar Winter toca sua composição Frankenstein, quase um delírio progressivo no qual sintetizador, sax, percussão (e o que vier) viram objetos de improvisação na mão do músico, quebrando o ritmo do show. Um pouco mais adiante, vem Broken Wings, do grupo Mr. Mister, um dos maiores e mais entediantes hits radiofônicos da História.

Amizade é tudo para Ringo, então não importa o desnível. Foi assim que ele chamou o tecladista Gary Wight (que participou do disco All things Must Pass de George Harrison) para cantar a soporífera Dream Weaver. As músicas do disco mais recente de Ringo, Y Not?, são tremendamente fracas, como The Other Side of Liverpool, na qual ele canta sob o lado negro de sua cidade natal e ataca com “fúria” calculada um kit de percussão à frente da banda e de sua bateria.

O público no Auditório Nacional, mais de 10 mil pessoas, agitava balões brancos e acendia isqueiros e gritava alucinadamente “Ringo, Ringo, Ringo”. Ainda assim, ele não teve dó. “Obrigado, México. Vocês foram a melhor platéia… da noite inteira”, disse Ringo mais uma vez, brincando com as expectativas da sua audiência.

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