Sofisticando o Radiohead

Estadão

24 de maio de 2013 | 07h01

JOÃO MARCOS COELHO, ESPECIAL PARA O ESTADO

'We Suck Young Blood': download US$ 9,99 no iTunes Brasil - Reprodução

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‘We Suck Young Blood’: download US$ 9,99 no iTunes Brasil

O Zapp4 é um ótimo exemplo de uma característica tipicamente holandesa na música – a da convivência pacífica e harmoniosa de todos os rótulos e gêneros musicais. Está aí o compositor Louis Andriessen, que não me deixa mentir. Mas este quarteto é um caso à parte. Foi fundado em 1997 como Zapp String Quartet.

A certa altura de uma trajetória vitoriosa, mudou de nome. Eliminou o string quartet. Ficou só Zapp4. Autodefinem-se como “uma banda com a formação de um quarteto de cordas. Combinamos groove, improviso e fantasia com solos apaixonados”.

Seus integrantes compõem e arranjam para o grupo. São eles: Jasper le Clercq e Jeffrey Bruinsma nos violinos, Emile Visser na viola e Oene van Geel no violoncelo.

Seu mais recente CD acaba de ser lançado pelo selo Challenge. We Suck Young Blood é literalmente “chupamos sangue novo” – o subtítulo esclarece o tipo sanguíneo: Radiohead Songbook. Tradução livre: Vampirando o Radiohead. A ideia não é nova. O melhor grupo pop das últimas duas décadas tem sido objeto de muitas adaptações e arranjos. O pianista de jazz Brad Mehldau, por exemplo, já improvisou com sua enorme criatividade sobre temas como Paranoid Android e Exit Music (For a Film).

O caso do Zapp4 é diferente. Eles dedicam o CD inteiro a dez composições do Radiohead. Expõem os temas tal como o mundo os conhece; mas, em seguida, assumem certa distância das melodias, improvisam com consistência. Preocupam-se mais com a cor do som das cordas aplicada a esta linguagem. Constroem arranjos inteiramente diversos do clima e da atmosfera dos originais. Sofisticam as dinâmicas. Em suma, respeitam as criações de qualidade do Radiohead, porém injetam nelas toda a experiência de um grupo curtido tanto em Beethoven quanto em improvisação coletiva.

The Daily Mail, por exemplo, abre quase como um coral bachiano. Em The Eraser, outro clássico do Radiohead, o Zapp4 conta com a participação da refinada percussão de Afra Mussawisade. E arrebentam nos dois temas sobre os quais Mehldau já improvisou: Exit Music (For a Film) e Paranoid Android. Deliciosa também é How to Desappear Completely, com direito a pizzicati.

Mas o prato mais suculento é a faixa-título, canção do CD Hail To The Thief, de 2003. Os Zapp4 não só tocam o tema inicialmente num clima transilvânico draculoso, mas incluem o contracanto em scat do Radiohead e embarcam até em um improviso frenético atonal, para no final retornar ao vampiresco e calmo porto seguro final.

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