Smashing Pumpkins decepciona no Playcenter

Estadão

23 de novembro de 2010 | 10h00

Adriana Dal Ré, Gilberto Amêndola e Pedro Antunes

Uma das atrações mais esperadas do festival Planeta Terra, no Playcenter, a banda americana Smashing Pumpkins, deixou o palco principal, pouco depois das 3 horas da madrugada de domingo, com gostinho de missão não cumprida. Isso não se aplica, claro, ao vocalista Billy Corgan, que parecia em estado de êxtase em seus longos solos de guitarra.

 sensação de que algo ficou faltando foi reivindicado pelo próprio público, já exausto àquela altura, passadas quase 12 horas de festival.

Depois de 1h30 de show e de um bis que poderia ter sido a redenção de Corgan (que acabou optando pela soturna “Heavy Metal Machine”, do álbum” Machina/The Machines of God”, de 2000), não era difícil ouvir fãs se queixando dessa ou daquela música que ficou de fora do set list, como a obrigatória 1979, “Bodies” e “Disarm”.

Esta última, aliás, foi abolida do show de São Paulo, sabe-se lá por qual motivo, já que a banda vinha a incluindo em suas apresentações.

Billy Corgan, vocalista do Smashing Pumpkins, no Playcenter (FOTO LEONARDO SOARES/AE)

Além do evidente cansaço da plateia e do esvaziamento de hits, a performance do quarteto foi prejudicada por problemas de som, principalmente nas primeiras músicas. Único remanescente da formação original do Smashing Pumpkins, o frontman Billy Corgan evidentemente montou uma banda para acompanhá-lo na estrada, como coadjuvante dele e nada além disso.

Sem qualquer vínculo com a história do Smashing, salvo o próprio Corgan, essa nova formação está mais para uma banda cover do próprio Smashing.

Nada parecido com os áureos tempos do grupo, quando o vocalista dividia os holofotes com o guitarrista James Iha, a baixista D’arcy Wretzky e o baterista Jimmy Chamberlin. Por uma série de desentendimentos, se dissolveu em 2000, para voltar em 2006, com o Corgan e Chamberlin. O baterista deixou o grupo em 2009 e foi substituído pelo jovem Mike Byrne, hoje com 20 anos.

Para não dizer que Corgan não dá espaço para seus novos músicos, Mike, com uma faixa à la Karatê Kid na cabeça, mostrou que idade não é documento em vigoroso solo de bateria. E entre solos aqui e acolá, Corgan evidenciou seu repertório com canções mais recentes e lados B, como “The Fellowship”, “Tarantula”, “Spangled”, “Down”, entre outras.

Preferiu pulverizar os poucos clássicos ao longo do set list, incluindo “Today, Tonight, Tonight”, “Ava Adore” e “Bullet With Butterfly Wings”. No limiar entre o mau humor e a simpatia, Billy Corgan poderia ter feito mais pelo público brasileiro.

Do experimental ao pop surreal

Cerca de 20 mil pessoas passaram pelo festival, que teve início na tarde de sábado e se estendeu até a madrugada de domingo. Os shows começaram no horário marcado e o evento em si transcorreu com tranquilidade.

Antes das principais atrações subirem ao palco, como Pavement e Smashing Pumpkins, o público pôde acompanhar uma maratona de bons shows. Foi interessante ver a dobradinha Mika e Of Montreal vencer, com música, o blá-blá-blá homofóbico que tem pairado no noticiário brasileiro – que começou durante as eleições e desaguou, recentemente, em uma agressão covarde de um grupo de adolescentes na Avenida Paulista.

Direto do Brooklyn, Nova York, os experimentais do Yeasayer também se destacaram bastante. Eles não têm disco lançado oficialmente aqui no Brasil, mas isso não impediu o público de curtir o rock psicodélico deles, com levada de batuques africanos. O vocalista principal da banda, Chris Keating, se divertia por tocar num parque de diversões.

“Nunca toquei ao lado de uma montanha-russa e de um castelo mal-assombrado. É demais”, entusiasmou-se Chris. Os badalados Hot Chip, os australianos de pop surreal do Empire of The Sun e Girl Talk, projeto eletrônico do produtor Gregg Gillis, fecharam a noite no palco alternativo.

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