Slayer fez sua declaração de resistência sobre o Palco Mundo

Estadão

22 Setembro 2013 | 23h01


Roberto Nascimento

Combalido pela ausência de dois membros essenciais, o heroico Slayer fez sua declaração de resistência sobre o Palco Mundo, a partir das 20h30 deste domingo.

Se a morte do guitarrista Jeff Hanneman, causada por cirose em maio deste ano, era um obstáculo, teve de ser superada na raça por um Tom Araya implacável, que chamou para si a responsabilidade de reafirmar o legado do Slayer. Se a personalidade dos bumbos duplos de Dave Lombardo, afastado da banda novamente, não estava entre as opções, Paul Bostaph, integrante de outros line-ups, deu tudo o que tinha nas mangas.

Assim, feroz e impiedoso, o Slayer navegou por uma setlist de destaques recentes e clássicos como Raining Blood. Araya, o nome do show, comandou a banda obstinado, presente nos vocais, sem dar espaço para o público respirar ou questionar se o grupo durará até o final do ano.

Metal não é rock ‘n’ roll. Para tocar uma hora no nível de intensidade proposta em disco, há de haver uma intensidade brutal na entrega da banda. Caso contrário, a displicência fica exposta, o rei fica nu. Em um ano tão conturbado, é louvável assistir a uma afirmação tão sólida de poder de fogo como a do Slayer no Rock in Rio.

Nesta noite de domingo, o grupo deixou claro que, por ora, estão mais confiantes: “Minha preocupação era mais com o Araya, que está destruindo”, comentou um dos fiéis seguidores dos heróis do thrash metal, no meio da massa. Em entrevistas, Araya já disse que continuar sem Hanneman seria “começar de novo”. Mesmo assim, se o Slayer entregar a toalha em breve, terá saído de cabeça erguida, valente até o fim.

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