Slash agrada ao público de São Paulo com solos imponentes

Estadão

07 de novembro de 2012 | 22h00

Roberto Nascimento – O Estado de S. Paulo

Slash é o Arnold Schwarzenegger dos solos de guitarra. Cada esmerilhada de sua palheta lembra Arnold escapando ileso de um fuzuê de metralhadoras, capangas e caminhões voadores.

Todo clímax de suas músicas é imbuído com a vaidade anabolizada que os oleosos bíceps do ex-Mister Universo já ostentaram na época de Predador, Comando Para Matar e Conan, O Bárbaro.

A plateia de Slash, tal como a de Arnold – ou a de Chuck Norris, Van Damme ou quem mais tenha estrelado em Mercenários 2 – está pouco interessada em enredo, personagem e todas as coisas que fazem de um clímax algo tão… climático. Querem tiro e porrada antes do fim do primeiro bloco, senão mudam de canal.

 Slash penas ordena que sua guitarra realize seus desejos - Reuters

Reuters – Slash penas ordena que sua guitarra realize seus desejos

E tiro e porrada eles tiveram por quase duas horas, nesta noite desta terça-feira, 6, em que Slash tocou para uma casa cheia, no Espaço das Américas, com banda e o vocalista Myles Kennedy. Desde a primeira música, Slash sentou o pé no acelerador, desferindo clichê após clichê guitarrístico com força bruta. Slash não conversa com sua guitarra. Não a seduz. Tampouco a namora. Apenas ordena que realize seus desejos.

Uma espécie de bullying eficaz, mas de resultado pobre, em que o imponente guitarrista – de cartola, cabeleira, tatuagens desbotadas, músculos e barriguinha – intimida o instrumento a tocar sempre em busca da glória. O problema é que esta postura cansa. E já na terceira música perdemos a noção do que aconteceu no início.

O que resta é um show crasso, que tem seu grande momento no anticlímax, quando Slash improvisa um blues lento e abre o leque expressivo de seus solos. É a curta cena romântica de um filme de ação. Logo em seguida, Myles Kennedy volta ao palco e continua sua interpretação meio Axl Rose, meio Bruce Dickinson, de um vocalista de rock.

Slash e Kennedy então embarcam em covers do Guns N’ Roses, como Sweet Child O’ Mine e Paradise City. Soam valentes, mas burocráticos. Deixam saudades da arrogância cômica de Axl Rose à frente do Guns de hoje em dia.

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