Skank abriu o Palco Mundo com o rapper paulistano Emicida

Estadão

22 Setembro 2013 | 15h00

Julio Maria

Samuel Rosa se deu bem. Como um coringa de Roberto Medina, esteve semana passada no Palco Sunset como convidado de Nando Reis. Hoje, abriu o Mundo com o rapper paulistano Emicida em um desamarrado encontro. Cantaram Presença (definitivamente, o rap não dialoga com o Skank) e retribuiu o convite a Nando chamando-o para dividir vozes em Resposta, de autoria dos dois. A presença do Skank ali é jogo ganho, mas faz soar um alerta. Se voltar no Rock in Rio de 2015 (o evento foi confirmado pela organização, mas a programação não) com o mesmo show, Samuel Rosa produzirá provas contra si mesmo de que sua carreira parou no tempo.

O rapper paulistano Emicida participou do show do Skank

Ainda que no passado, o Skank tem um inegável arsenal que, concentrado em uma hora, aumenta seu poder de mobilização. Partida de Futebol faz bandeiras e camisas de times serem erguidas; Saideira desafia até seguranças a dançarem. E por aí seguiram Jackie Tequila, Te Ver, Garota Nacional, Vamos Fugir e Tão Seu, usada para terminar. Olhando para a plateia, Samuel disse “não há banda que se acostume com isso. A gente toma uma porrada de vocês, mas uma porrada boa.” Depois de cantar É Proibido Fumar, que ganha coro de “maconha” da plateia o tempo todo, Samuel arremata. “Maconha é proibido, mas mensalão pode fazer de novo né?”

Trinta anos de carreira deram a Samuel Rosa uma habilidade com a massa. É para ela que ele atua o tempo todo. Exagerou quando disse “tem gringo que quer entender qual é a música brasileira, então vamos mostrar” antes de começar Saideira. Antes de acabar, usa seu final para emendar Mas Que Nada, de Jorge Benjor, fazendo homenagem ao Rio de Janeiro. E deixou seu grupo tocando para descer nas passarelas em meio à plateia, deixar os seguranças em apuros e ficar por lá por um bom tempo, levando até as câmeras a perdê-lo de vista. É um especialista em fazer chamados para levantar o público com gritos de guerra e usar artifícios populistas, como pedir que seus fãs girem as camisetas no alto. Não dá para negar que energia que recebe de volta é algo de impressionar.