Sigur Rós, lirismo islandês em câmera lenta

Estadão

25 de junho de 2012 | 12h00

Roberto Nascimento

A evocação de passeios solitários por geleiras colossais é central à música do Sigur Rós desde que a banda islandesa chegou ao sucesso internacional em 1999, com o disco Ágaetis Byrjun. No quarto trabalho desde então, essa exploração por mundos abrangentes é perpetuada com a calma e o lirismo característicos do grupo.

Melodias atravessam o panorama sonoro em câmera lenta, formam ápices harmônicos gradualmente, da mesma forma que uma montanha surge e desaparece na distância. É essa a ideia de um refrão no mundo de Sigur Rós, o segundo mais notável musical islandês desde o fim da última década (o primeiro é Björk, que troca influências com a banda).

As canções não demandam foco tanto quanto permeiam de forma líquida o ambiente em que são tocadas. “A música rola por cima de você, em uma maneira agradável”, explicou o vocalista Jónsi à revista Q recentemente.

 A influência de Thom Yorke, do Radiohead, é notável em seu falsete, mas seu foco musical é mais sacro do que confessional, como tendem a soar as melodias de Yorke. Assim, não é difíicl imaginar Valtari, o disco novo dos islandeses, como trilha sonora de um culto. Como nos panoramas que a música parece descrever, não há destaques, apenas a constância, embora a terceira, Varut, tenha permanecido no ouvido.

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