Show de Regina Spektor é reduzido por causa de incidente; T4F nega riscos

Estadão

12 de abril de 2013 | 10h18

Lauro Lisboa Garcia – ESPECIAL PARA O ESTADO

 

A cantora e pianista russa Regina Spektor - Divulgação
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A cantora e pianista russa Regina Spektor

Regina Spektor começou a se tornar conhecida no Brasil a partir do êxito de Fidelity (do álbum Begin to Hope, de 2006), que teve vídeo exibido com bastante frequência na tevê a cabo e virou tema da novela A Favorita, em 2007. Porém, o público que foi ao Credicard Hall ver o charmoso show da cantora e pianista russa ontem saiu frustrado por não ouvir uma de suas canções preferidas. Um pequeno acidente fez com que Regina e sua banda (bateria, cello e teclado) deixassem o palco repentinamente, depois de Us, a primeira das quatro canções previstas para o bis.

Mais tarde, ela justificou a situação em sua página no Facebook: “Queridíssimos amigos de São Paulo, vocês foram uma plateia fantástica – vocês machucaram meu coração de forma boa. Vocês foram incríveis. Sinto muito termos terminado o show mais cedo, mas uma corda que segurava um cano no teto caiu sobre um técnico de monitor (felizmente ele está bem!) e mais ninguém estava seguro no palco porque uma das luzes poderia cair de uma altura de 80 pés (cerca de 24 m). Todos estão bem, mas eu deixei de cantar três músicas para vocês”. Ela também prometeu: “Amamos vocês e voltaremos da próxima vez para tocar mais”. Além de Fidelity, as outras previstas eram Hotel Song e Samson.

Em nota, a Time For Fun (T4F), produtora que trouxe a cantora e é responsável pela programação do Credicard Hall, rebateu ontem: “Sobre o post da artista Regina Spektor em seu Facebook, a Time For Fun gostaria de esclarecer que, na noite de ontem, o show teve uma rápida interrupção e diminuição no seu bis, quando a cantora detectou uma suposta queda de cabo. Tão logo o show foi encerrado, ficou esclarecido que se tratava de uma corda leve de sisal usualmente utilizada para prender cortina e que não oferece nenhum risco”.

A nota prossegue: “Esclareceu-se também que não houve nenhuma ameaça de rompimento de qualquer cabo que prendesse spots de luz. Atendendo a todas as regras de segurança, todos os spots do Credicard Hall são presos com cabos de aço. Durante todo o período do show, artista, público e técnicos estiveram em total segurança. Lamentamos que o equívoco tenha ocasionado o encurtamento do bis”.

Com o público atento, silencioso e sentado em cadeiras (sem mesas nem garçons para atrapalhar), o ambiente estava adequadamente ajustado para o estilo de música da cantora, que mescla folk, rock, jazz e influências de sua origem russa. A qualidade técnica de som estava bem acima da média do habitual nesse tipo de espaço e a iluminação era um show à parte, compatível com a elegância e a delicadeza de Regina.

Ela entrou no palco cantando lindamente Ain’t No Cover a capela, com uma voz cristalina que ganhou a plateia de imediato. Três dos melhores momentos do show foram All the Rowboats, Blue Lips e a melancólica The Call. Regina alternou números com a pequena, mas vigorosa banda e outros sozinha ao piano e com o cello, além de um duo com seu marido Jack Dishel (ou Only Son, que fez o show de abertura ao violão), na bela Call Them Brothers.

Tossindo persistentemente entre uma canção e outra, ela tomou muita água e chá, sentada ao piano, mas a tosse não chegou a prejudicar sua performance. Algo, porém, estava estranho. Depois de várias trocas de olhares com a equipe técnica na coxia, a cantora deixou o palco exatamente na metade do roteiro do show, que começou com meia hora de atraso. Cumpriu a promessa de voltar, e tocou belas canções de seu álbum mais recente, What We Saw From the Cheap Seats (2012) e outras dos anteriores, além de The Prayer, versão em inglês de uma tocante canção tradicional russa, que ela disse ser uma de suas prediletas.

O público que não chegou a lotar a casa, mas fez bom número, esteve o tempo todo entusiasmadíssimo e atento a qualquer movimento de Regina. Vários gritos, em inglês e em português, foram emitidos nos intervalos entre as canções, como “linda”, “nós te amamos”, “casa comigo”. A tudo, a cantora, sempre sorridente e cheia de charme, respondia com um “obrigada”. No início da apresentação ela já jogou charme: “Amo vocês! Mas lamento que tenha errado no português, porque eu disse ‘obrigado’ e o certo é ‘obrigada’”. Tal atitude de fofura fez ecoar muitos “ooohs”.

O incidente não tirou o brilho da apresentação de Regina, que soube contornar a situação não deixando transparecer insegurança para o público. Em retribuição à grande demonstração de afeto dos fãs, ela também machucou os corações deles de forma boa, melódica e prazerosa. Uma graça.

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