Show de aquecimento do Viper se transforma em grande celebração

Estadão

28 de junho de 2012 | 17h00

Marcelo Moreira

Por mais de uma década, os Rolling Stones fizeram os shows de aquecimento de suas turnês em pequenos botecos de Toronto, no Canadá, sem aviso prévio e quase sempre surpreendendo os frequentadores assíduos e ocasionais.
Era uma maneira eficaz, mas simplória, de relembrar os velhos tempos, no início dos anos 60, “quando sabíamos na hora se as músicas funcionavam ou não”, como disse Keith Richards em uma entrevista à revista Rolling Stone norte-americana em 1994.

A banda paulistana Viper, meio sem querer, reeditou situação parecida na última sexta-feira, 22 de junho, em Santo André, na Grande São Paulo, sem obviamente nem um pouco do glamour do boteco canadense El Mocambo.

Era a abertura da turnê de comemoração de 25 anos do lançamento do primeiro álbum do quinteto, “Soldiers of Sunrise”, que conta com a grande novidade, a volta, ao menos temporária, do vocalista original, André Matos – que deixou a banda no final de 1990.

O acanhado Central Rock Bar mostrou-se o local ideal para abrir a turnê de 15 datas por São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Pequeno e com o público “colado” no palco, obrigou músicos com experiência e carreiras internacionais a suar a camisa como ocorria 25 anos atrás.

Da formação original estavam Matos, o baixista Pit Passarell e o guitarrista Felipe Machado. Yves Passarell, irmão de Pit e guitarra gêmea de Machado, hoje toca no multiplatinado Capital Inicial, mas prometeu aparecer e dar canja em alguns shows.

Seu substituto é simplesmente Hugo Mariutti, que já tocou com o Henceforth e hoje se divide também entre o Remove Silence e a banda solo de André Matos. Na bateria, Guilherme Martin, que já tinha tocado no Viper em outras formações.

O retorno do Viper é um dos grandes fatos do ano no rock pesado nacional, ainda mais com Matos nos vocais 22 anos depois de sua saída. Só esse fato já justificaria a imensa fila na porta da casa noturna – e a consequente superlotação do local.

E também justificaria certo nervosismo da banda. Deve ter havido algum frio na barriga, mas os cinco músicos entraram à toda no palco e pareciam estar realizando um ensaio aberto: descontraídos, deixaram o ambiente à beira da informalidade e fizeram uma apresentação intensa e digna, com quase duas horas e meia tocando na íntegra os álbuns “Soldiers of Sunrise” e “Theatre of Fate”, marcos do metal nacional.

O show ainda precisa de alguns ajustes? Sim, como o guitarrista Felipe Machado admitiu depois. Mas isso foi o de menos. Foi uma noite de grande diversão nostálgica, com grandes canções e músicos excelentes.

O som do Viper está um pouco mais pesado, mais coeso, mais encorpado. Mariutti e Martin têm uma pegada diferente e empurram a banda para um terreno mais enérgico e elétrico. E tome clássicos como “Moonlight”, “Living for the Night”, “The Spreading Soul” e até “Rebel Maniac”.

Como celebração a noite foi perfeita, e não poderia haver locar mais adequado para o início da “To Live Again Tour”. Nem mesmo o show de abertura matador da banda Pastore foi capaz de ofuscar a atração principal.

Em um momento em que apenas o Dr. Sin representa o rock pesado clássico brasileiro na atualidade – o Angra está em novo hiato e cheio de indefinições –, é bom ver o Viper na ativa novamente, mesmo que o retorno seja apenas temporário.

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