Shadowside: profissionalismo e qualidade na 'estreia' em São Paulo

Estadão

29 de maio de 2013 | 06h52

Marcelo Moreira

Fotos: Diego Camara, cedidas originalmente ao ótimo site de rock Whiplash

Profissionalismo e qualidade muito acima da média, com um show melhor do 80% das atrações internacionais que tocaram em São Paulo até agora em 2013. A banda santista Shadowside fez de seu primeiro show de verdade na cidade de São Paulo uma verdadeira celebração, ainda que o público tenha sido pequeno.

O Via Marquês, no último domingo, parecia imenso, e o quarteto merecia bem mais atenção. Mas o profissionalismo deu o tom da apresentação e mostrou como é possível um grupo brasileiro adquirir respeito e qualidade já obtidos por Sepultura, Angra, Almah e Krisiun no exterior.

Foi um dia importante porque o Shadowside fazia primeiro show completo em São Paulo após dez anos de atividades e também por ser o primeiro após a bem-sucedida turnê europeia ao lado de Helloween e Gamma Ray, dois nomes fortes do heavy metal alemão e europeu. Foram 36 shows em 18 países durante quase dois meses, o que deixou a banda completamente afiada e sedenta ser apreciada pelo público brasileiro.

A noite começou com a abertura da banda paulistana SupreMa, que faz um vigoroso power metal com toques de metal progressivo. Foi um bom aquecimento, embora ficasse a impressão de que o quarteto poderia fazer bem mais. Não faltou competência, longe disso, mas o repertório que surpreendeu no CD “Traumatic Scenes” soou repetitivo, sem muita variação. O grande destaque foi o guitarrista Douglas Jen, com domínio completo do instrumento e autor de fraseados rápidos e inventivos, que deram um pouco mais de vida às músicas muito parecidas (ao menos ao vivo).

O Shadowside veio em seguida e não deu a mínima chance para a banda dos amigos que abriu a noite. Pesado, intenso e com a vocalista Dani Nolden em plena forma, desfilou uma saraivada de músicas dos três CDs já lançados, deixando as mais antigas bem mais modernas e mais heavy do que quando foram gravadas.

Enquanto o Suprema se ressentia da falta de um tecladista, pois suas músicas pediam um complemento para a boa guitarra de Douglas Jen, a atração principal mostrou que seu heavy tradicional e diversificado não precisava de nada mais. O canhoto Raphael Mattos mostrou habilidade e versatilidade nos solos e segurança nas bases, evitando os clichês do guitar hero. Competente e compenetrado, transformou-se em uma maquininha de riffs precisos.

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Dani Nolden, do Shadowside

Precisão também é a marca registrada do baterista Fábio Buitvidas. Instrumentista igualmente competente e virtuoso, colocou o seu toque pessoal em todas as levadas e mostrou claramente que participa ativamente da elaboração dos arranjos para o seu instrumento – além de ser bastante criativo na condução de músicas rápidas como “My Disrupted Reality” e “Angel with Horns”.

O quarteto santista tomou a sábia decisão de não estender demais o show. Em pouco mais de uma hora conseguiu repassar com sucesso a carreira de dez anos e mostrou a grande evolução do som, especialmente de 2009 para cá.

Com base no repertório da turnê europeia e no último álbum, “Inner Monster Out”, a lista de músicas teve o acréscimo de músicas pouco executadas, como “Highlight” e “Baby in the Dark”, o que agradou os fãs mais antigos. No entanto, a predominância do álbum mais recente, com material ótimo e bem superior, foi outra decisão acertada, agradando a todos com “Gag Order”, “I’m Your Mind”, “Habitchual”, “Inner Monster Out” e “Angel with Horns”.

Os elogios às performances de Dani Nolden na Europa foram merecidos. Esforçada, intensa e magnética, a garota é o termômetro da banda e o fio condutor da maratona pesada despejada em pouco mais de uma hora de show. Sem exageros, concentrada e ditando o ritmo, surpreendeu quem não a conhecia.

Para comemorar finalmente o primeiro show completo na capital, um bis com com duas versões de clássicos do rock ao lado da banda SupreMa. A grande jam conjunta executou “Aces High”, do Iron Maiden, e “Ace of Spades”, do Motorhead. Um final apropriado para uma festa, ainda que pouca gente tenha tido a disposição de conferir os dois shows no Via Marquês. Um dos melhores shows de bandas nacionais do ano merecia bem mais.

 

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