'Sgt. Pepper's', dos Beatles, nocauteou os adversários

Estadão

20 de junho de 2012 | 06h09

Marcelo Moreira

A maior batalha musical do rock foi ganha pelos Beatles, e por nocaute. E um nocaute tão traumático que jogou o adversário nas trevas por mais de 20 anos. No mês em que o mundo celebra os 45 anos do lançamento de “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”, provavelmente o melhor álbum de rock de todos os tempos, os Beach Boys comemoram 50 anos de fundação com um novo CD com músicas inéditas e uma grande novidade: a volta do gênio e mentor Brian Wilson.

Beatles e Beach Boys protagonizaram a maior disputa criativa do século XX na música popular. Se os Rolling Stones eram supostamente os grandes rivais dos Beatles para a mídia, na questão musical a parada era com os Beach Boys, então a grande banda de rock dos Estados Unidos – e os Stones foram suficientemente inteligentes para manter a rivalidade no campo dos fãs e da imprensa e evitaram um choque direto com o time de Liverpool.

“Sgt. Pepper’s” encabeça quase todas as listas de melhores álbuns de todos os tempos. O grau de avanço que os Beatles alcançaram no final de 1966 e começo de 1967 extrapolou os limites da música pop. Na verdade, a quebra de paradigmas foi tão grande e tão intensa que ficou claro que o jogo tinha acabado.

O álbum lançado em 1º de junho de 1967 trouxe não só novas ideias. Criou novos sons e elevou o patamar de produção de áudio a um nível inimaginável para a época. O impacto foi tão forte que o álbum foi considerado um dos grandes fatos da cultura do século XX. Influenciou toda a sociedade e todas as manifestações culturais, das artes plásticas à literatura, da moda à arquitetura – sem falar no comportamento ocidental. Sem dúvida, foi o fruto mais vistoso e brilhante de seu tempo.

A capa do disco virou referência em temos artísticos. A ideia foi de Paul McCartney: reunir como se fosse uma foto de formatura diversas personalidades importantes da história, como Bob Dylan, Tony Curtis, Marilyn Monroe, Marlene Dietrich e o Gordo e o Magro, além de referências aos Rolling Stones.

A figura de cera dos Beatles foi tomada emprestada do museu de Madame Tussaud. Peter Blake, um artista plástico tomou cargo da montagem do cenário e Wendy Moger teve a árdua tarefa de pegar autorização das celebridades para deixarem usar sua imagem na capa do disco.

Já o conceito do álbum surgiu da cabeça de Paul em uma viagem de avião entre os Estados Unidos e a Inglaterra. Os Beatles sairiam de suas “personas” e se tornariam outra banda, com o esdrúxulo nome de “A Banda dos Corações Solitários do Sargento Pimenta”.

 

Os Beatles com o produtor George Martin no estúdio no comecinho de 1967

Embora não exista um tema específico interligando todas as faixas, é considerado o primeiro álbum conceitual do rock e o ápice da psicodelia, com influência direta nos trabalhos de Rolling Stones, The Who, The Doors, Pink Floyd, Jimi Hendrix, Cream, Yardbirds, Led Zeppelin e muitos outros.

As colagens sonoras viabilizadas pelo produtor George Martin, assim como os maravilhosos efeitos sonoros especiais que envolviam as músicas coroaram o momento máximo de criatividade dos Beatles.

Fortemente embasado em temas do cotidiano, o álbum vai do hard rock incipiente ds duas versões da faixa-título à alegoria psicodélica de “Being for the Benefit of Mr. Kite” (e seu clima circense inigualável), passando pela pungente balada triste “She’s Leaving Home”, pela maluquice beleza de “Lucy in the Sky with Diamond”, pelo orientalismo de “Within You Without You” (de George Harrison), pela simples e pungente ode à velhice de “When I’m Sixty Four”, pela beleza lírica e de certa forma dramática de “With a Little Help from My Friends”, encerrando com a suíte que é uma obra-prima, “A Day in the Life”.

Não é exagero dizer que “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band” mudou de forma significativa a cultura ocidental.

Continua…

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