Sepultura esgota ingressos em uma hora e meia e prepara novo CD

Estadão

09 de outubro de 2013 | 06h54

Marcelo Moreira

Na série de textos sobre o Sepultura e o lançamento da autobiografia de Max Cavalera no Brasil, um fato que tem de ser comemorado. Os ingressos para os shows que a banda fará no Sesc Belenzinho, em São Paulo, nos dias 25 e 26 de outubro em São Paulo acabaram em menos de uma hora e meia, com vendas pela internet e nas bilheterias de todos as unidades do Sesc no Estado de São Paulo. Ok, os quase 2 mil ingressos evaporaram porque os preços eram mais baixos do que o normal – e os associados da entidade podem comprar com descontos ainda maiores. Ainda assim, é um feito para uma banda internacionalmente conhecida que estava sendo considerada decadente e fora de qualquer lista de relevância.

Algumas revelações do livro de Max, assim como algumas farpas, reacenderam em alguns fóruns as discussões sobre o quarteto, em especial na briga de arquibancada entre os partidários do ex-guitarrista e vocalista e os da formação atual, liderada pelo guitarrista Andreas Kisser. É mais do que evidente que o Sepultura não vive os seus melhores dias, principalmente em termos de vendas, mas quem viu a banda em ação no Rock in Rio, em duas apresentações, percebeu que ainda se trata de uma banda poderosa e relevante, ao menos para o público brasileiro.

O quarteto está prestes a lançar o seu novo álbum, “The Mediator Between Head And Hands Must Be The Heart” – “O mediador entre a cabeça e as mãos deve ser o coração”, em português – título que foi inspirado no filme alemão “Metropolis” (1927), de Fritz Lang, clássico da ficção científica.

A primeira música liberada para audição, “The Age Of The Atheist”, mostra um Sepultura em sintonia com o metal moderno, timbragens de guitarra diferentes, assim como arranjos de bateria e melodias que incorporam influências diversas, em uma aparente evolução ao excelente álbum anterior, “Kairos”. O grupo não está mais na vanguarda do gênero, e diminuiu suas aparições no exterior, mas a nova faixa demonstra que existe muita qualidade na música da banda.

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Pode-se questionar se a incorporação de elementos de outras vertentes no som do Sepultura é uma tentativa de recuperar a veia inovadora que a banda tinha nos anos 90. Creio não ser o caso, ainda mais depois do lançamento de um álbum tão bom quanto “Kairos”.

Enquanto o trabalho anterior revisitava o thrash/death metal mais clássico, que catapultou o grupo para o sucesso internacional, a nova faixa liberada tenta levar o som para áreas antes inexploradas pelo quarteto, sendo não necessariamente seja uma grande novidade. O novo álbum será muito pesado, com músicas interessantes e a adição de elementos sonoros diferentes, mas talvez não tenha o mesmo impacto de “Kairos”.

A grande expectativa é pela performance de Eloy Casagrande na bateria, em seu primeiro trabalho efetivo no estúdio. “The Age of the Atheist” já demonstra claramente que o extraordinário baterista se mostrará à altura de Iggor Cavalera, que infelizmente está tocando cada vez menos seu antigo instrumento, desde que saiu do Sepultura em 2006.

Já está na internet um vídeo com trechos dos trabalhos de gravação do novo álbum, mostrando os quatro trabalhando nas novas faixas em estúdio, nos Estados Unidos, com entrevistas em inglês com o produtor Ross Robinson e com os músicos Andreas Kisser, Paulo Xisto e Derrick Green. Robinson produziu “Roots”, de 1996, e nunca mais trabalhou com a banda.

O ex-baterista do Slayer Dave Lombardo participa do disco, que terá versões de “Zombie Ritual”, da extinta banda de death metal Death (do fantástico guitarrista Chuck Schuldiner, morto em 2000 em consequência de um câncer no cérebro) e “Da Lama ao Caos”, de Chico Science & Nação Zumbi.

 

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