Saudades do mestre Hendrix

Estadão

19 de setembro de 2010 | 17h16

Felipe Branco Cruz

Hendrix está em transe. Ele está acompanhado de seus colegas Mitch Mitchell e Noel Redding, da banda The Jimi Hendrix Experience. A data é 18 de julho de 1967 e eles estão no palco do Monterey Pop Festival, realizado entre os dias 16 a 18 de julho, em Monterey, na Califórnia. Durante os três dias do festival, mais de 200 mil pessoas comparecem para ver os astros em ação.

Todos se apresentam de graça. O evento é considerado o início do Verão do Amor, dos hippies. E Jimi Hendrix é um dos maiores destaques dessa festa musical. Exatamente, dois anos e dois meses – no dia 18 de setembro, de 1970 –, o homem rotulado como o rei da guitarra morreu, devido a causas até hoje desconhecidas.

People Jimi Hendrix

Morreu jovem, aos 27 anos, afogado em seu próprio vômito, na Inglaterra. Para marcar as quatro décadas da morte desse monstro do rock, já foram e ainda serão lançados coletâneas e regravações de trabalhos de Hendrix.

Na última quarta-feira, a MTV exibiu um especial sobre o cantor e guitarrista, com declarações de músicos brasileiros. Em novembro será lançado também o box “West Coast Seattle Boy – The Jimi Hendrix Anthology”, com quatro CDs e um DVD com o documentário “Jimi Hendrix: Voodoo Child”. No total, serão 45 músicas ao vivo e em estúdio, com demos e versões inéditas.

As lendas em torno da morte de Jimi Hendrix, envolvem possíveis conspirações da CIA para matar os principais agitadores da época, como Janis Joplin e Jim Morrison. Ambos também morreriam num espaço de menos de um ano – o que fez a força dessas teorias aumentar.

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Ideias conspiratórias que ainda não existiam em julho de 1967, no Festival de Monterey. Naquele dia, Jimi Hendrix entrou em transe ao executar a canção “Wild Thing”. É isso que se percebe no vídeo registrado pelas lentes do cineasta D. A. Pennebaker.

A guitarra de Hendrix, uma Fender Stratocaster decorada com motivos psicodélicos, foi tocada com maestria. Hendrix era canhoto, mas usava um instrumento para destros, virada ao contrário. Nessa mesma apresentação, ele fez solos com a guitarra nas costas e chegou a simular um ato sexual com sua Fender.

Em certo momento, Hendrix foi até o fundo do palco, onde estavam os amplificadores da marca Marshall, a preferida dele, para criar um efeito de distorção com a microfonia causada pela aproximação do instrumento com as caixas de som.

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Por fim, no ápice da apresentação, o músico jogou fluído de isqueiro na guitarra, riscou um fósforo e jogou sobre ela. Para finalizar a performance histórica, Hendrix pegou o instrumento e bateu com ele no chão do palco, até parti-lo em dois.

O público foi à loucura. Em outra apresentação, no ano seguinte, no Miami Pop Festival, Hendrix repetiria a cena. Anos mais tarde, Frank Zappa reconstruiria a guitarra quebrada e tocaria com ela nos anos 70 e 80.

Histórias como essas fazem parte da incrível biografia de Hendrix, nascido em Seattle. Contemporâneo de gente como Eric Clapton, Jeff Back, Beatles, The Who e Rolling Stones, Hendrix ainda hoje é um dos mais influentes guitarristas do mundo.

Sua maestria, no entanto, só seria sacramentada durante o antológico festival de Woodstock, em 1969, ao executar o hino nacional dos Estados Unidos em solos distorcidos de guitarra. Dentre as composições imortalizadas pelo guitarrista, estão canções como “Little Wing”, “Purple Haze” e “The Wind Cries Mary”.

Para quem quer começar a entender o universo de Hendrix, é possível encontrar nas lojas os quatro álbuns lançados pelo músico. Com áudio remasterizado, os discos vêm com alguns mimos para os fãs do guitarrista. Além de CD, cada título traz também DVD, com making of.

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Aproveite e ouça o programa-podcast Combate Rock nº 3, produzido pela equipe do blog Combate Rock, que analisa e discute a trajetória do guitarrista Stevie Ray Vaughan, que morreu há 20 anos.

Combate rock #3 by mmoreirasp

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