Saudades do Joy Division…

Estadão

02 de dezembro de 2011 | 17h00

Felipe Branco Cruz

O baterista e tecladista Stephen Morris, de 54 anos, começou a carreira com o Joy Division, icônico grupo pós-punk. Quando a banda acabou, após a morte de Ian Curtis, junto com os remanescentes Peter Hook e Bernard Summer, ele fundou o New Order.Além da bateria tradicional, Morris incluiu ao som batidas computadorizadas.

Por telefone, do Reino Unido, o músico conversou com o JT. E fez segredo sobre o show no Brasil. “Não temos o setlist definido”, disse. Mas destacou que trabalhou nas músicas antigas para deixá-las com novo frescor. Além disso, falou da relação com Hook e sua curiosa coleção de carros militares.

O New Order volta definitivamente ou é só uma turnê?

É uma boa questão. Se você não gosta de fazer algo, é melhor nem começar. Vamos ver o que vai dar.

A banda tem planos para compor novas músicas?

Talvez. É difícil. Gillian (Gilbert) e eu já sentamos para escrever. Queremos fazer coisas novas o mais rápido possível.

Vocês vieram ao Brasil em 2006. O que acharam do público?

Foi fantástico. A recepção do público brasileiro foi calorosa e inesquecível. A única coisa ruim foi o trânsito. Ficamos bastante tempo presos. É um trânsito que não acaba nunca. Chegamos a pensar que talvez fosse mais rápido ir andando. Até nos sugeriram alugar um helicóptero. Mas não fizemos isso.

Infelizmente, o trânsito não melhorou muito desde então.

Sério? Bom, então eu vou alugar uma bicicleta (risos).

Pelo fato de termos mais tecnologia hoje em dia, você acha que a música eletrônica tem mais influência nos jovens?

Música pop e tecnologia andam juntas, parceria antiga. Gostamos de sintetizadores. Acho que a música eletrônica hoje tem mais espaço, é algo grandioso. Mas é bom fazer música acústica também.

Você acha que o som do New Order é datado, muito anos 80?

Alguns discos que fizemos podem ser considerados, sim, o som dos anos 80. E isso é bom. Alguns dos sons que criamos, ninguém tinha usado antes. Para novos shows, passamos algum tempo adaptando nossas músicas antigas para que parecessem atuais hoje. Demos um novo frescor a elas.

Acredita que o público vai sentir falta de Peter Hook?

A banda sente falta dele. Obviamente, muitos fãs também vão. É assim que funciona. O que importa é que vamos nos divertir.

Alguma chance de ele voltar?

Não no momento. Ele está ocupado com os projetos solos dele, do Joy Division.

Não tem vontade de tocar novamente músicas do Joy Division?

Claro! São ótimas músicas. Eu tenho vontade, sim. Não desta vez, no Brasil. Mas quero voltar a tocá-las novamente.

Você também é ligado em assuntos militares. Tem até tem uma coleção de carros militares…

Sim! Eu tenho quatro veículos. Não são para andar nas ruas e não têm armas em funcionamento. Tenho um tanque com canhão, um caminhão de suprimentos, um caminhão blindado e um jipe.

Por que os comprou?

Eu me perguntei: o que aconteceu com os carros bacanas dos anos 40? Não se vê mais esse tipo de carro para vender, é mais fácil achar tanques. Então, pensei: ‘Que legal! Vou comprar um para mim’.

Onde você anda com eles?

São bons para andar em parques. Eles são lentos, não causam transtorno. Daria para andar no trânsito de São Paulo (risos).

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