Saints of Valory, ou como se faz o parto de uma banda

Estadão

15 Setembro 2013 | 22h22

Jotabê Medeiros

Na Cidade do Rock, às 21h33, no palco secundário, o Palco Sunset, pouco mais de mil pessoas estavam presentes para testemunhar a estreia de uma banda no mundo do pop rock. Mas o nascimento do grupo norte-americano Saints of Valory teve alguns condimentos para a sua profecia de futuro: o som era tecnicamente perfeito, talvez um dos melhores do festival; o grupo, profundamente desconhecido, foi ovacionado pela pequena plateia; os músicos, sem afetação e sem roadies, testaram os próprios instrumentos e o som antes, num momento em que respondiam aos gritos dos poucos gatos pingados que os festejavam.

“Como vai, Rio? Nós somos o Saints of Valory, de Austin, Texas”, disse, em inglês, o vocalista do grupo, Gavin Jasper, ao finalmente iniciar seu show com a música 26. Parecia apenas um grupo de gringos distanciado, como de hábito, mas a segunda fala de Jasper, após a segunda música, Long Time Coming, foi em português claríssimo. “É nosso primeiro show no Brasil. É uma honra fazer o primeiro show aqui num festival tão lendário. Nós somos americanos, mas nosso primeiro ensaio foi aqui, em Vargem Grande”, disse Gavin Jasper, vocalista e baixista da banda Saints of Valory.

Jasper, filho de americanos, morou até os 14 anos no Brasil, tem avó em Ipanema e sua banda bombou esse ano nos Estados Unidos, após uma música bem-sucedida, Neon Eyes. O festival os convidou para voltar ao Brasil, onde eles têm muitos amigos. O som do SoV é muito inspirado pela música do U2, especialmente na cozinha, na bateria e no baixo. Mas quando o grupo chegou lá pela penúltima música do seu set, The Bright Lights, ficou claro o quanto emprestam do Coldplay.

Ao contrário de muitos dos vocalistas-baixistas, o instrumento de Gavin não é decorativo: as músicas são conduzidas pelo seu baixo, e ele canta muito bem. O quarteto não é de grandes solos nem de grandes exibicionismos, fica claro que é um grupo homegêneo, jogando em equipe. Hits como Providence, Glory ou Ivy são turbinados por uma batida de bateria sempre marcial, marchadeira, como um Larry Mullen Jr.

É curioso: presenciar o nascimento de uma banda e de seu fã-clube é mais ou menos como presenciar um parto. Tudo é difícil, o primeiro contato, o relacionamento, as primeiras palavras, o primeiro fanático que grita dizendo “rock’n’roll” quando aquilo está bem longe de um rock’n’roll. Mas parece que deu liga, o Saints of Valory tem humildade, entusiasmo, coragem, vontade, honestidade. Tem pinta de que vai vingar o rebento.

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