Safra boa de rock pesado – quarta parte: Galinha Preta, Nôva, Bioface, Bruto, Totem, Project46…

Estadão

30 de novembro de 2012 | 12h00

Marcelo Moreira

A nova geração brasileira de bandas de rock pesado está perdendo o medo de tocar músicas em português. Ainda não é possível dizer que estão indo na onda de Madame Saatan, Uganga e Worst, por exemplo, já que essas bandas estão despontando agora para o mercado, ainda que de forma cautelosa, mas vigorosa.

É gente que não pensa duas vezes antes de chegar chutando as portas e ensurdecendo os ambientes. É o caso do Project46, um trator derrubando tudo com seu thrash metal com influências de Pantera e dos paulistanos Torture Squad. Peso absurdo, guitarras na cara, vocal para lá de agressivo, letras demolidoras e uma precisão instrumental absurda.

Por que uma banda dessas ainda não estourou? Os caras não têm tempo para pensar nisso. Destroem tudo, colocam a casa abaixo e mostram que dá para fazer som extremo em português com muita qualidade. Seu mais recente álbum é o ótimo “Doa a Quem Doer”, com ótima produção, que traz as porradas “Atrás das Linhas Inimigas”, “Impunidade”, “Capa de Jornal” e “Violência Gratuita”. Um soco no cérebro.

Project46

O Bioface, de São Bernardo do Campo, vai pelo mesmo caminho, embora a produção de seu álbum novo, auto-intitulado, não seja tão boa quanto a do Project46. Intencional? Talvez, mas não invalida o trabalho do grupo. As músicas são fortes e a gravação crua despeja toneladas de energia. O instrumental é bom, com variações rítmicas interessantes que, lapidadas em uma produção mais apurada, pode elevar ainda mais o nível do grupo.

Bioface

O brasiliense Totem já aposta em uma vertente mais tradicional do heavy metal, mas com uma sonoridade mais moderna, muitas vezes lembrando os bons trabalhos da banda sueca Candlemass.

 “Vale Quanto Pesa” é o seu mais recente trabalho, que mostra muita energia e peso, embora a mixagem tenha deixado os vocais um pouco abaixo das guitarras. É um som bem diferente do que se faz hoje no Brasil, com uma timbragem única. “Nojanta”, Resistência” e “Esse Morcego” são os destaques.

A banda Bruto, de Brasília, já parte para o outro extremo, praticando um death/thrash metal competente e barulhento, embora a produção pudesse ressaltar mais os timbres de guitarra, que soam cortantes como serra elétrica. O som por vezes abafado deixa de ressaltar o interesante trabalho de seis cordas.

“Mundo Destruído” é o nome do mais recente álbum, que traz uma desgraceira sonora digna do subgênero escolhido. A faixa-título é um dos destaques, assim como “Porrada” – nesta, a bateria deixa um pouco a desejar em relação à sonoridade, muito seca.

Já o Nôva, de Sorocaba (SP), traz em seu EP “O Tempo”, um som mais cru e reto, mesclando hard rock e heavy tradicional com competência. Transita na área dos ótimos Golpe de Estado e Carro Bomba, com vocal ótimo e bom trabalho de guitarras. Seu trabalho é promissor. Ouça a ótima faixa de abertura “Superficial”.

Por fim, temos o Galinha Preta, de Brasília, praticante de um hardcore que se esgueira para o mais autêntico punk, na linha Garotos Podres, ora para o metal extremo, em um crossover digno dos Ratos de Porão. Barulheira das boas, para colocar abaixo a casa noturna ou bar, ou até mesmo para incomodar muito aquele vizinho muito, mas muito chato. Remete aos bons tempos do punk nacional, da primeira metade dos anos 80. Os destaques são “Ninguém Neste Mundo é Porra Nenhuma”, “Leis”, “Bicicleta” e “A Carta da Barata”.

 

 

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