Rush de volta ao progressivo. Ou quase

Estadão

19 de julho de 2012 | 17h00

Diogo Salles

Procurando sempre olhar para frente, o Rush nunca se preocupou com modismos ou com saudosismos. Porém, duas turnês recentes da banda — R30 (2004) e Time Machine (2010) — tinham como gancho rever os grandes clássicos de sua carreira. Em estúdio, o trio canadense sempre buscou abordagens diferentes para cada álbum. Dos singles que já haviam sido lançados deste novo disco, nem Caravan nem BU2B entregavam sua sonoridade.

Durante meses, especulou-se que eles estariam ensaiando uma volta aos discos conceituais, que os tornaram célebres nos anos 70. Agora, com o álbum inteiro lançado, é possível perceber que as expectativas foram um tanto exageradas.

Em Clockwork Angels, a temática é sim conceitual, mas sem as grandes suítes de 20 minutos — o que pode frustrar alguns fãs mais radicais. A ideia aqui era percorrer todo o vocabulário musical adquirido nesses 40 anos de estrada.

E é nesse rastro que encontramos fragmentos de tudo o que o Rush fez de melhor em sua carreira. Headlong Flight faz uma visita aos anos 70 e vai deixar os fanáticos com gosto de 2112 na boca. Em The Anarchist a banda refaz alguns caminhos explorados no disco Signals (1982).

Já Wish Them Well e The Wreckers trazem uma abordagem mais direta, que a banda explorou bastante nos anos 90. O guitarrista Alex Lifeson sempre foi o membro mais subestimado do trio, mas é ele o grande destaque do álbum. Desde que o Rush abandonou os teclados, no fim dos anos 80, Lifeson tem sido o guardião da sonoridade da banda.

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 Além de arranjos que aliam peso e delicadeza e de solos que aliam técnica e alma, ele cria belos momentos acústicos em Halo Effect e The Garden. A faixa-título é um primor de composição, alternando momentos melódicos com ataques de guitarra e um grande refrão.

A grande novidade são os arranjos de cordas, que aparecem com destaque em boa parte do álbum, trazendo uma atmosfera orquestral e grandiosa. E se Clockwork Angels não representa uma imersão total no progressivo, as músicas estão um pouco mais longas e complexas, o que certamente agradará aos fãs.

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