Rory Gallagher: a fúria irlandesa sai da sombra

Estadão

06 de janeiro de 2011 | 16h10

Julio Maria

Nem tudo deu certo no roteiro que Rory Gallagher escreveu para si sobre como ser grande. Irlandês de um tempo que só Van Morrison havia conseguido ganhar tamanho para ser visto além das fronteiras de seu país, Gallagher é um dos casos mais assombrosos da injustiça que se faz com blueseiros que, apenas por um acaso geográfico, não nasceram nos Estados Unidos.

Rory veio ao mundo como um furacão, conforme atesta o documentário em DVD duplo “Ghost Blues – The Story of Rory Gallagher and The Beat Club Sessions” (o segundo traz 16 músicas que ele tocou entre 1971 e 1972 no programa da TV alemã Beat Club Sessions).

O material é lançado aqui pela ST2 Vídeo e Eagle Vision. Nada antes disso havia reunido com tanta precisão um material que dimensionasse o tamanho do guitarrista. The Edge, do U2, só falta cair de joelhos ao falar do homem que contribuiu para que ele virasse o que virou. “Nos primeiros materiais do U2 fica evidente a influência que recebi dele.” Amigos, produtores, músicos e o irmão e empresário de Gallagher lembram do curto trajeto de 47 anos vividos pelo irlandês.

Bill Wyman, ex-baixista dos Rolling Stones, lembra de uma passagem pouco conhecida do fim dos anos 60, quando Gallagher quase entrou para a banda de Mick Jagger. Os testes chegaram a ser feitos depois da morte de Brian Jones (em 1969), e Gallagher se destacou dos outros. Jagger e Keith Richards pressentiram que dali não sairia boa coisa (o rapaz era demais para dividir uma banda com outras pessoas) e o vetaram.

Depois de grande barulho com a banda Taste entre 1965 e 1970, um power trio tão arrasador que chegou a se autodestruir em egos e conflitos, Gallagher se lançou em uma vitoriosa carreira solo a partir de 1971.

No início dos anos 90, o corpo mandou a fatura dos anos de bebedeiras misturadas a medicamentos que das quais o músico desfrutava como se quisesse reproduzir na própria carne os versos que cantava. Uma cirurgia de transplante de fígado trouxe uma infecção hospitalar. E Rory Gallagher se foi.

(NOTA DO EDITOR: Gallagher também foi cogitado para substituir Mick Taylor nos Rolling Stones em 1975, posto que acabou nas mãos de Ron Wood, ex-Faces, de acordo com relatos da época. – Marcelo Moreira)

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: