Roqueiro norueguês é preso na França sob acusação de terrorismo

Estadão

16 de julho de 2013 | 12h12

Marcelo Moreira

Alguns dos momentos mais execráveis da história do rock foram desenterrados hoje com a notícia da prisão do músico norueguês Varg Vikernes, a mente por trás do grupo de black metal Burzum. Multi-instrumentista e compositor, o cidadão foi preso na França acusado de planejar atentados terroristas, após extensa investigação da polícia francesa, com a colaboração do serviço secreto daquele país.

Vikernes é mais conhecido no mundo do rock por ter cumprido pena de 21 anos de detenção pelo assassinato de um músico rival em 1989. Na época existia um pequeno grupo de músicos noruegueses extremistas que formavam o chamado Inner Circle, dedicado ao black metal e a uma ideologia direitista e antirreligiosa.

Se fosse só isso estaria ótimo, mas os “artistas” do grupo partiram para a destruição e incêndios criminosos de igrejas por toda a Noruega, além de agressões a imigrantes. Vikernes e Øystein Aarseth, conhecido como Euronymous, faziam parte da mesma banda, o Mayhem, mas brigaram feio. Vikernes criou o Burzum, mas nunca esqueceu a rixa, e acabou acusado e condenado pelo assassinato a facadas do ex-colega.

Segundo as agências internacionais, a polícia francesa suspeita que o norueguês planejava um “massacre” e atualmente busca em sua casa por mais armas e explosivos. A mulher de Vikernes é francesa e membro de um clube de atiradores, e recentemente adquiriu legalmente quatro rifles.

As autoridades da França ainda não divulgaram mais detalhes sobre exatamente quais eram as suspeitas de terrorismo que levaram à prisão. O monitoramento de Vikernes contou também com o auxílio da polícia norueguesa.
Kristian “Varg” Vikernes se destacou no Inner Circle por suas posições extremistas e de cunho neonazista. Embora também tenha sido acusado por incentivar e participar de incêndios criminosos de igrejas cristãs, teve o cuidado de camuflar seu apoio a estes atos de vandalismo, o que não foi suficiente para livrá-lo das acusações de liderar os extremistas.
Na prisão norueguesa – um paraíso perto dos presídios brasileiros -, tinha espaço privativo individual e obteve autorização para rechear a cela com livros diversos e receber um equipamento portátil de gravação, além de uma guitarra. Com isso, o Burzum conseguiu se manter ativo, com o lançamento periódico de CDs enquanto Vikernes esteve detido.
Fora da prisão desde 2009, continuou gravando e lançando álbuns com letras cada vez mais extremas e preconceituosas, além de dar declarações polêmicas e agressivas em temas políticos e sociais. Decididamente, não é uma boa companhia para tomar um chope em um happy hour.
CC BY SA Wikimedia Commons

Tudo o que sabemos sobre:

BurzumVarg Vikernes

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.