Ronnie James Dio é a essência do heavy metal

Estadão

13 de setembro de 2010 | 16h30

Marcelo Moreira

A ideia do blog/podcast Combate Rock é antiga, surgiu no final de 2008, mas só se materializou há pouco mais de dois meses. Não tivemos a oportunidade de de homenagear Ronnie James Dio, cantor de heavy metal que morreu em maio, aos 70 anos de idade (embora oficialmente a própria mulher, Wendy Dio, diga que ele tinha 67.

E mais cedo do que se imaginava virá a primeira homenagem ao cantor. “At Donington UK” é um CD duplo que será lançado em novembro, em luxuosa embalagem com livreto. O álbum trará duas apresentações até então inéditas de Dio e sua banda no famoso festival inglês Monsters of Rock, em Castle Donington, nos anos de 1983 e 1987. Desnecessário dizer que é obrigatório para fãs.

Dio na época do álbum

Dio na época do álbum "The Last in LIne" (FOTO: REPRODUÇÃO)

Mais do que um gênio e um dos cinco melhores que já cantaram rock – ao lado de Ian Gillan, Roger Daltrey, Robert Plant e Mick Jagger (tá bom, incluo Glenn Hughes) -, o que caracterizou Dio não foram o símbolo dos chifrinhos com as mãos, ou as letras fantasiosas e fantásticas, ou até mesmo a fama de descobridor de guitarristas (Vivian Campbell, do Def Leppard, Craig Goldy, Doug Aldrich…).

Dio é o símbolo da persistência no rock’n roll. Com imenso talento e grande versatilidade, só conseguiu algum sucesso mesmo no começo dos anos 70, com a banda The Elves, que depois mudou de nome para ELF.

Em um cenário parecido com o do futebol, onde dificilmente um jogador vira craque depois dos 25 anos, Dio penou com a falta de apoio e sucesso nos anos 50 e 60. Começou a ter algum cartaz somente quando já tinha mais de 30 anos, época em que roqueiros ignorados pelas gravadoras e pelo público saíam de cena e mudavam de ramo.

Dio persisitiu e teve as bênçãos dos integrantes do Deep Purple – foram vários os shows do grupo inglês nos Estados Unidos com abertura do ELF entre 1973 e 1975.

Dio durante show do Heaven and Hell no Credicard Hall, em maio de 2009 (FOTO JOSE PATRICIO/AE)

Dio durante show do Heaven and Hell no Credicard Hall, em maio de 2009 (FOTO JOSE PATRICIO/AE)

E foi por causa do Purple que finalmente o cantor chegou ao sucesso em 1975, quando o guitarrista Ritchie Blackmore saiu do grupo inglês e formou o seu Rainbow. Para isso, contratou toda a banda ELF, que deixou de existir. Um ano depois, somente Dio resistiu ao estrelismo do guitarrista e permaneceu no Rainbow.

Nos três anos de Rainbow Dio se tornou astro mundial. Gravou obras-primas como os álbuns “Long Live Rock’n Roll” e “Rising”, assim como os hinos “Man on the Silver Mountain”, “Kill the King”, “Catch the Rainbow” e “Stargazer”.

Quando Blackmore decidiu fazer um som mais hard e mais comercial, com letras de amor, Dio sai do Rainbow ao final de 1978 e começa a preparar sua carreira solo, abortada no final do ano seguinte com o convite para substitutir Ozzy Osbourne no Black Sabbath.

Foram apenas dois anos, mas o suficiente para resgatar o prestígio do grupo e gravar outras duas obras-primas – “Heaven and Hell” e “Mob Rules”. A careira solo começou em 1982, após brigar no Black Sabbath. A energia inesgotável e a inspiração continuavam em alta, emendando turnês mundiais e lançando mais dois clássicos do heavy metal, “Holy Diver” e “The Last in Line”.

Dio em São Paulo, em maio de 2009 (FOTO: JOSÉ PATRÍCIO/AE)

Dio em São Paulo, em maio de 2009 (FOTO: JOSÉ PATRÍCIO/AE)

A carreira consistente e as turnês lotadas continuaram pelos 25 anos seguintes, além da intensificação da participação em projetos beneficentes e sociais – foi dele a ideia de criar o Hear’N’ Aid, em 1985, que reuniu estrelas do heavy metal da época em uma espécie de Live Aid, com gravação de música e CD com renda em benefício à população faminta da África.

Idolatrado pelos fãs e adorado pelos músicos, Dio era reconhecido como um homem muito educado, gentil e extremamente culto. Nas diversas passagens pelo Brasil fazia questão de cumprimentar os jornalistas que compareciam às entrevistas coletivas, em especial amigos de londa data, como o radialista Vitão Bonesso, diretor da web rádio Backstage.

Foi assim em maio de 2009, quando se apresentou no Credicard Hall, em São Paulo. Amável, gentil, reconheceu e saudou os amigos e ainda teve tempo de dar atenção a fãs e jronalistas que o entrevistavam pela primeira vez.

Por isso que sua morte causou comoção parecida com a de Freddie Mercury em 1991, ou a de Stevie Ray Vaughan, no ano anterior. Seu funeral, realizado na Califórnia, durou mais de três horas, com shows acústicos de amigos e a presença de mais de 5 mil pessoas.

Dio representou o que de melhor a música pode produzir: qualidade, integridade, respeito, inteligência e perservança. Sua fragilidade física apenas ocultava um gigante que honrou o heavy metal nos palcos até os 70 anos de idade.

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Aproveite e ouça o programa-podcast Combate Rock nº 2, produzido pela equipe do blog Combate Rock, que analisa e reverencia a trajetória do guitarrista Jimi Hendrix, que morreu há 40 anos.

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