Roger, do Ultraje, na TV: ele não é nada inútil

Estadão

10 de setembro de 2011 | 06h55

Juliana Faddul

Ele não tinha mais o que fazer e muita coisa para dizer. Foi por isso que Roger Rocha Moreira, o Roger, do Ultraje a Rigor, topou o convite, via Twitter, de Danilo Gentili para integrar o palco de seu talk show Agora é Tarde (Band), que vai ao ar às quartas e quintas-feiras, às 23h45.

“Gosto muito desse tipo de programa. Assisto ao David Letterman (apresentador do Late Show), religiosamente, todo fim de noite, há muitos anos. Quando o Danilo me fez a proposta, eu pensei: ‘Pô, que legal’. Daí, pensei melhor e disse: ‘Pô, vamos fazer’”, conta Roger.

Danilo e toda a geração que viveu os anos 80 já estavam habituados com a espirituosidade de Roger. Mesmo assim, o bom humor do roqueiro espantou os diretores do programa, como Diego Barredo, gerente de conteúdo da Cuatro Cabezas, produtora da atração. “Foi uma boa surpresa. Sabíamos que ele era engraçado e espontâneo, mas surpreendeu.”

Fã da banda, Danilo Gentili se rasga em elogios sobre o colega de palco. E acredita que uma das engrenagens que dá movimento ao programa é justamente o roqueiro. “Se o Roger negasse o convite, não sei o que faríamos. A gente teria trabalho para pensar em outro nome”, garante Danilo. “Até hoje, se ele sair, a gente vai quebrar a cabeça para pensar em quem colocar no lugar.”

A aposta em Roger era tamanha que a produção nem tinha um plano B caso não desse certo. “Acho que ia chamar alguém desconhecido, não sei”, completa o apresentador. Nos bastidores, Roger, assim como os outros músicos do Ultraje, Marcos Kleine (guitarra), Bacalhau (bateria) e Mingau (baixo), parece bastante entrosado com a equipe do late show.

Roger Moreira (esq.) e seu Ultraje a Rigor agora são atração na TV (FOTO: EPITACIO PESSOA/AE)

Durante a leitura de roteiro, o humorista Marcelo Mansfield, que integra o time do programa, brinca: “O Ultraje tem música até se cancelarem o programa”, referindo-se ao hit oitentista Inútil. Assim como os outros participantes do Agora é Tarde, a banda tem liberdade total. “Mas temos bom senso, é tudo combinado. Não vou ficar interferindo toda hora. O importante é o programa, não o ego de cada um”, diz Roger.

Apesar do entusiasmo com a atração, o cantor não nega as críticas que recebe. “Tem um pessoal que fala: ‘Pô, um ícone do rock’n’ roll, se rebaixar, se humilhar, sendo banda de apoio?’. Pô, a gente sempre fez piada. A gente já se sacaneava bem antes.” Só no ramo musical que Roger não quer ser sacaneado. Quando topou participar do programa, deixou claro que não tocaria qualquer estilo.

“A gente procura tocar uma música que tem a ver com o convidado. Quando o Marcelo Adnet veio aqui, tocamos Jorge Ben Jor, que é um cara que eu admiro. Mas quando foi a Mulher Melancia, tocamos o refrão de Chiclete, (Bum bum bundão/Bum bum bundão). Ela toca poperô, pancadão. Nem sei fazer, nem estou interessado em aprender.” Quem não gostar das interferências do Ultraje, é melhor, então, invadir outra praia.

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