Rock progressivo em sua melhor fase neste século

Estadão

23 de fevereiro de 2011 | 08h15

Marcelo Moreira

Um surto de criatividade no rock progressivo transformou 2010 no ano mais importante do gênero neste século. A quantidade de grandes lançamentos ou relançamentos mostra que a música bem feita e bem tocada está cada vez mais em alta.

Já falamos do Transatlantic neste Combate Rock recentemente. “The Whirlwind”, o novo CD do grupo, é provavelmente o melhor trabalho progressivo do ano, mas um casal extremamente talentoso chegou perto.

Erik Norlander é tecladista e já tocou com os melhores músicos da Califórnia e tem uma carreira solo excelente. Seu novo trabalho é “The Galactic Colletctive”, uma fusão bem-sucedida de música instrumental com efeitos eletrônicos que não comprometem.

Amate de Beatles, Pink Floyd, Rick Wakeman e Keith Emerson, Norlander é virtuoso, mas evita excessos. Aposta em climas densos e em solos intrincados, mas sem exibicionismo, o que permite, por exemplo, que os dois guitarristas de sua banda, Mitch Parry e Mark McCrite, tenham espaço para brilhar em solos inspirados.

Mas o maior destaque depois dos teclados de Norlander é a voz de Lana Lane, mulher do tecladista e dona de uma carreira solo de sucesso que transita entre o hard rock e o metal progressivo, tendo o marido como produtor. Com sua voz potente e limpa, consegue atingir notas altíssimas e constrói melodias inacreditáveis sem muito esforço.

A cantora Lana Lane

Na comemoração dos 15 anos de seu primeiro lançamento, “Love is an Illusion”, Lana relança o CD/DVD “10th Anniversary Edition”, que traz a gravação de um show fantástico no Japão, e “The Best of Lana Lane 2000-2008”, só lançado no Japão e nos Estados Unidos.

O show mostra a cantora e o marido com a banda Rockest Scientists, que os acompanha desde o início dos anos 90 e é uma retrospectiva completa dois melhores momentos de Lana. Já a coletânea traz algumas músicas em versões diferentes, mas é um panorama dos trabalhos mais pesados gravados por ela no século XXI.

O Shadow Gallery por muitos anos foi o nome mais importante do prog metal norte-americano depois do Drean Theater, ganhando prestígio suficiente para desbancar Fates Warning e Symphony X.

“Digital Ghosts”, seu novo lanamento, é o sexto CD da banda e está mais pesado que os anteriores e traz como novo vocalista, Brian Ashland – que substitui o fenomenal Mike Baker, que morreu de ataque cardíaco em 2008. Com influências claras de Dream Theater e Queensryche, tem como destaques as músicas “Strong” e “Venom”. Imperdível.

Entre os ingleses, os reis do rock progressivo, um dos destaques é o Shadowland, nome importante do movimento chamado neo-prograssivo, que surgiu após a derrocada do punk nos anos 80 e revelou bandas como Marillion, IQ, Pendragon, Oliver Wakeman, Pallas e Arena.

O Shadowland é um dos vários projetos paralelos de Clive Nolan, do Pendragon, e com certeza é o mais pesado “A Matter of Perspective” e “Edge of Night-Live” são dois lançamentos que sintetizam o que melhor rock progressivo europeu produziu nos anos 2000. Igualmente imperdíveis.

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