Rock pesado transforma o palco Sunset

Estadão

27 de setembro de 2011 | 02h00

Lucas Nóbile

Enfim, o Rock in Rio começou de fato. Com uma programação dominada por artistas pop, o terceiro dia do festival finalmente fez jus ao título do evento, tendo um line up dedicado ao público roqueiro. Já às 14h, com a abertura dos portões, a Cidade do Rock foi invadida por um mar de camisetas pretas.

Até os primeiros shows no Palco Sunset, a organização dava indícios de ter aprendido com os erros dos dias anteriores em relação a atrasos, mas tudo foi por água abaixo com a última atração de ontem. Marcado para 18h, o show do Sepultura com os franceses do Tambours Du Bronx teve início com 1h15 de atraso. No Palco Mundo, já havia começado a primeira apresentação, do Gloria, fazendo com que o som vazasse para o secundário. O grupo acabou xingado pelo público, ansioso pelo Sepultura.

Quando eles subiram ao palco, o que se viu foi um daqueles casos em que a mistura e os encontros pretendidos pelo Sunset funcionam. A comunhão com o Tambours foi pra lá de entrosada em um repertório que contou com temas como Mixture, Kairos, Roots Bloody Roots e até um cover do Prodigy.

Sepultura detona no Rock in Rio (EFE/Antonio Lacerda)

Se a performance musical foi a melhor do dia, o mesmo não se pode dizer – novamente – da equalização do som. A impressão que dava era a de que tinham delegado a função de operar a mesa sonora a uma criança descobrindo e fuçando nos botões.

Todos os instrumentos eram aumentados e diminuídos ao longo de toda a apresentação. O show perdeu a graça devido ao volume baixíssimo. Derrick Green não teve culpa, mas para o tipo de som que fazem a voz era praticamente um “sussurro” joãogilbertiano.

Os trabalhos no Palco Sunset começaram pouco depois das 14h40, com apresentação da banda Matanza, dividindo o palco com BNegão. Pelo estilo do som – uma barulheira infernal que não exige equalização perfeita – o palco teve volume alto, para deleite dos cabeludos e tatuados do métier.

 

Edu Falaschi e Raphael Bittencourt, do Angra (Foto: EVELSON DE FREITAS/AGENCIA ESTADO/AE)

Na plateia, finalmente apareceram os chifrinhos e as tradicionais rodinhas dos metaleiros. Com um público eufórico e cantando todas as músicas, Matanza e BNegão soltaram um petardo atrás do outro. No repertório, temas como Bom É Quando Faz Mal, Remédios Demais, Ressaca Sem Fim, Clube dos Canalhas e A Verdadeira Dança do Patinho (com Paulão Black).

Logo depois, foi a vez da banda Korzus, com o mesmo peso. O volume seguiu altíssimo, mas a voz do vocalista Marcello Pompeu estava baixa. Mesmo assim, ele manteve os ânimos lá em cima, até mesmo quando abusou do populismo e puxou o hino nacional. A banda dividiu a cena com músicos do Suicidal Tendencies e Dead Kennedys, seguidos de João Gordo.

Na sequência, o Angra fez uma apresentação de cerca de 1h, também prejudicada por problemas no som, mas emocionou o público e levou jovens às lágrimas. Liderado por Kiko Loureiro, o grupo dividiu a cena com a finlandesa Tarja Turunen, ex-vocalista do Nightwish, e Amon Lima, violinista da Família Lima.

 

Korzus no Rock in Rio (Foto: EVELSON DE FREITAS/AGENCIA ESTADO/AE)

 Juntos, soltaram uma enxurrada de agudos e falsetes em show que convenceu com temas como Spread Your Fire, Lisbon e Rebirth, comemorando 20 anos da banda paulistana. A postura roqueira deu as caras, comprovada com uma garota içada de cavalinho no meio da multidão, rodando a camiseta na mão, ficando apenas de sutiã.

O som de ontem no Rock in Rio foi pé no peito o tempo inteiro, dando ao público o que ele mais queria: intensidade e entrega artística. Este domingo do metal é o que atrai os fãs mais leais, e também o de maior público no palco Sunset, encerrado com um show do Sepultura lotado.

Nenhuma atração, roqueira ou não, atraiu tanta gente quanto os mineiros, que se apresentaram com o grupo francês Tambours Du Bronx. Os fãs ficaram revoltados porque o som da banda de abertura do Palco Mundo, a paulistana Gloria, vazou – isso porque a área dominada por eles eram tão grande que quase “invadia” a parte do gramado voltada ao Palco Mundo.

Possivelmente, o público do Sepultura foi subestimado. “Ei, Gloria, vai tomar no c…!”, “Mais volume!”, eles gritavam. “Isso é um absurdo, todo mundo gosta do Sepultura, é pátria!”, reclamava o jovem paulista Diego Marco.
O Sunset já começou cheio ontem.

Se nos dias anteriores as apresentações das 14h40 eram para pouquíssimos, na tarde passada o Matanza e BNegão já encontraram um público bom – e quente – que se manteve para para ver Korzus + The Punk Metal Allstars, e Angra + Tarja Turunen.

 

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