'Rock of Ages', um tributo à era do glamour

Estadão

25 de agosto de 2012 | 17h00

Luiz Carlos Merten

Ator, cantor, pop star. Diego Boneta arrisca umas palavras em português ao falar, pelo telefone, com o Brasil. Ele já gravou um CD com músicas brasileiras, fez show no Rio. Sabe que para suas fãs no País é Rocco, protagonista da novela Rebelde. Espera que elas agora curtam Drew, seu personagem em Rock of Ages – O Filme, que estreia hoje no Brasil.

Com tripla nacionalidade – mexicana, norte-americana e espanhola –, Diego é filho de pai mexicano e mãe “gringa”, como diz. Os pais sempre foram roqueiros de carteirinha e ele credita aos dois tudo o que sabe sobre o rock dos anos 80, retratado no filme. Mas a música, segundo ele, vem do avô materno, que não chegou a conhecer. “Era porto-riquenho, radicado na América”, informa.

Como um ator e cantor mexicano coestrela um filme de Tom Cruise? “Não foi fácil, não. Embora já fosse conhecido no México, nos EUA e em quase toda a América Latina, tive de fazer testes para conseguir o papel. Foi mais ou menos como começar de novo. Havia passado por tudo isso para chegar ao elenco das novelas mexicanas.”

O papel em Rebelde foi o trampolim para o primeiro CD, chamado simplesmente Diego, em 2005. O primeiro single, Responde, foi incorporado à trilha da novela e catapultou as vendas. Quando a novela terminou, ele se integrou ao tour internacional da banda mexicana RBD, como convidado. E não parou mais.

Na verdade, desde que apareceu em novelas infantis e, depois, no reality show Código F.A.M.A., Diego Boneta tornou-se um dos rostos mais conhecidos do público mexicano. Rock of Ages – O Filme é uma adaptação do show da Broadway.

Desde que foi sondado para o papel de Drew, o jovem roqueiro que sonha com o estrelato, a primeira coisa que ouviu do diretor Alan Shankman foi que não visse o show. “Ele não queria que eu fosse influenciado pelo musical e, muito menos, pela forma como Constantino (Maroulis) fez o papel na Broadway. Mas Constantino faz uma ponta no filme e ficamos amigos. Ele queria saber se eu cantava rap no filme. Antes fosse – disse-lhe que integrava uma boy band e ele lamentou por mim. Poor boy, pobre rapaz, disse.”

Boneta admite que suas influências sempre foram as bandas cujas músicas ele canta no filme. “Desde menino, a música que eu escutava era aquela que fazia a cabeça de meus pais, o rock dos anos 80, do U2 a The Police e Rolling Stones. Ao crescer, comecei a ouvir outras bandas da época. Há dois, três anos, eu só ouvia Duran Duran e A Ha. Tenho uma lista de 80 músicas que são as que ouço sempre no meu iPod. Basicamente, são todas dos anos 80. É um sonho fazer parte de um projeto retratando esta época. Estou cantando as músicas que fazem parte da minha vida e, ao fazê-lo, rendo tributo não apenas a esses artistas, mas à juventude de meus pais.”

Tom Cruise surpreendeu ao cantar o mais legítimo hard rock (DIVULGAÇÃO)

OK, são todas canções já integradas ao imaginário de Boneta, mas ele com c erteza deve ter tido um prazer especial cantando… Qual? “É difícil dizer, mas Jukebox Hero, que foi uma das últimas durante a filmagem, me marcou bastante. E I Love Rock and Roll, que é a versão roqueira de Greased Lightning. Já no set, Adam ( o diretor Shankman) me mostrou alguns cortes e tudo me pareceu novo, surpreendente, maravilhoso.”

Como foi a preparação? “Foi muito intensa e tomou cinco, seis semanas antes do início da filmagem. Preparei a voz, os movimentos, aprendi a tocar guitarra para minhas cenas, o que era uma coisa que sempre quis fazer. Mas o mais difícil foi a parte vocal, cantar raspando a voz sem ferir as cordas vocais, como faziam aqueles caras dos 80, Lou Graham, Steve Perry e Freddie Mercury. Tive um preparador incrível. Ron Hendersons não apenas me ensinou a cantar desse jeito. Ele me incentivou a buscar minha voz e a não copiar ninguém, o que seria o caminho mais fácil.”

E Tom Cruise? “Embora seja um astro, Tom nunca havia feito musical. Então, ele teve de se preparar para assimilar influências de grandes roqueiros na composição do personagem. Ver como ele fez isso, como aprendia no set, foi uma das experiências mais emocionantes da minha vida. Mesmo o maior astro precisa ter a humildade de que não sabe tudo e precisa aprender. O mais incrível é que uns dois ou três meses antes disso tudo, assisti a Negócio Arriscado, que foi, talvez, o primeiro êxito de Tom (Cruise). Pensei comigo – o que eu preciso é de um filme desses na minha vida. Logo em seguida, estava tocando guitarra com ele no set de Rock of Ages. Every Rose Has Its Thorn. Foi como um sonho se tornando realidade.”

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