Rock in Rio: é preciso separar os meninos dos homens

Estadão

27 de setembro de 2011 | 17h00

Roberto Capisano Filho

Festivais como o Rock in Rio são uma boa oportunidade para se separar as bandas de verdade daquelas que não resistem à prova de uma apresentação ao vivo.  Não estou falando de uma competição entre grupos de rock, mas sim de perceber quem faz a diferença, quem tem estofo para estar lá. É inevitável em festivais como esse, quando os shows ocorrem um em seguida do outro, um dia após o outro, que fique evidente quem é que sabe o que faz. Pior para quem não se garante.

Os shows de Motorhead e Metallica são exemplos de bandas que têm o que dizer, ou melhor, tocar. Já um grupo como Snow Patrol chega a ser constrangedor.

No sábado, assisti pela televisão a uma parte do show do Snow Patrol. Não consegui aguentar até o fim da apresentação. No começo, havia uma curiosidade sobre a banda. Aquela curiosidade natural que faz com que paremos para saber do que se trata.

Porém, conforme o show avançava, cada vez mais tinha a certeza de que aqueles sujeitos no palco estavam no lugar errado. Aqueles caras não nasceram para estar em um palco daquele porte. Fãs do Snow Patrol, não me levem a mal, mas a banda não tem cacife para um festival como o Rock in Rio. No máximo, esses caras conseguem arrancar algumas palmas dos amigos em uma apresentação em barzinho numa terça-feira à noite. Som fraco, músicos fracos, zero de presença de palco, zero de carisma.

Snow Patrol e seu show fraco e sonolento no Rock in Rio 2011 (Foto: EVELSON DE FREITAS/AGENCIA ESTADO/AE)

O que foi aquilo? Os integrantes do Snow Patrol eram uma mistura de deslubramento e medo naquele palco enorme. A música da banda não tem força para suportar aquela situação. É como colocar aquele cara que joga bola no churrasco de fim de semana para jogar uma final de Copa do Mundo e bater o pênalti que vai decidir a partida. O cara treme na base, não sabe o que fazer, só falta chorar e pedir para sair. Esse é o Snow Patrol. A música dos caras não tem pegada para se sustentar ali. Deprimente.

Em compensação, no domingo Motorhead e Metallica mostraram como se faz um show de verdade. Não é à toa que estão há tantos anos no topo do rock mundial. Presença de palco, carisma, controle da situação e o que é mais importante: música de verdade. Isso foi o que o público viu. O palco e o festival, por maior que sejam, às vezes parecem pequenos para bandas desse porte. Esses grupos têm som para aquele palco enorme e mais se precisar. Três músicos, no caso do Motorhead, e quatro, no caso do Metallica, preencheram aquele espaço fácil. Coitado do Snow Patrol. Deu pena.

Nem vou falar aqui das aberrações que o festival tem na sua programação (Claudia Leite, Ivete Sangalo, Rihanna, entre outras). Mas estou certo de que Snow Patrol e outros grupos nacionais e estrangeiros que se apresentaram e ainda vão se apresentar nesse Rock in Rio simplesmente não deviam estar lá.

Tenho aqui que recorrer a uma frase muito usada mas que é adequada: é nessas horas que vemos a diferença entre meninos e homens.

 

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