Rock and Roll Hall of Fame: credibilidade foi parar no subsolo

Estadão

21 de dezembro de 2012 | 07h00

Marcelo Moreira

Quando a TV aberta ou mesmo por assinatura transmite ao vivo ou reprisa as festas do Rock and Roll Hall of Fame, nos Estados Unidos, tudo parece muito legal. Algunms artistas são agraciados com a “introdução” na entidade e muitos shows acontecem, com encontros legais e inusitados, além de muitas jams.

Essa parte visível às vezes escapa da podridão que domina os bastidores da entidade, dominada p0r corporações gigantes da área de entretenimento e por burocratas que acham que entendem de arte e que têm condições de escolher quem é que pode estar no salão da fama do gênero.

A organização há muito tempo caiu em descrédito e se tornou uma piada. Gente como Chaka Khan e Madonna (??????, será que está mesmo?) foram “agraciadas” com a honra, enquanto bandas de verdade e artistas sérios do gênero, como Deep Purple, Kiss, Rush, Yes, Uriah Heep e muitos outros ainda precisam passar por chancelas e “votações” para conseguir ingressar no tal salão da fama. Asqueroso, para dizer o mínimo.

O critério principal ainda é o mesmo: ter lançado um álbum ou single significativo há no mínimo 25 anos e, claro ter feito sucesso relevante para entrar no hall da fama. Mas a burocracia burra e coalhada de interesses no mpinimo estranhos se encarrega de enlamear aquela que poderia ter sido uma boa ideia, permitindo o agraciamento a artistas pouco relevantes, ruins e frequentemente longe do rock.

Claro que os medalhões estão lá, como Beatles (como grupo e individualmente), Rolling Stones, The Who, Pink Floyd, Led Zeppelin e até mesmo o Black Sabbath, mas outros grupos e artistas de suma importância são ano a ano preteridos em favor de cantores e bandas pouco expressivos e de apenas meia dúzia de sucessos.

Gene Simmons, do Kiss, expressou seu desprezo em relação à instituição na edição de novembro da revista Rolling Stone Brasil: “Não me incomoda estar no Hall da Fama, mas nosso fãs ficam chateados. Eles estão sempre se mobilizando, fazendo petições e nós os apoiamos. Já falei com outros artistas preteridos: esse salão da fama é uma piada. É uma boa ideiamas as pessoas que tomam conta disso são equivocadas e não deviam estar lá. Tudo bem, O led Zeppelin está lá, mas cadê o Deep Purple?”

O Deep Purple, ao lado do Rush, foi indicado para 2013 ao lado de outros 13 artistas, que passarão por uma “triagem” e uma “votação” pela internet. Ridículo.

Na mesma edição da revista, Paul Stanley, também do Kiss, também bateu forte. “Para mim não significa nada, embora nosso fãs achem importante. Já consegui muito mais na vida do que eu esperava e vai continuar sendo assim.”

Glenn Hughes vai na mesma linha, e questiona a competência de quem escolhe e a credibilidade da instituição. “Como levar a sério uma entidade que escolhe obscuros artistas dos anos 50 e deixa de fora Deep Purple, Rush, Kiss e Yes, por exemplo? Comentei outro dia com Gene Simmons a existência de uma entidade como essa, com seus critérios, é um desrespeito ao rock”, disse em agosto ao site Blabbermouth.net

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