Rock and Roll Hall of Fame: ao vivo, o teste do tempo

Estadão

01 de janeiro de 2012 | 17h00

Julio Maria

O 25.º aniversário do Rock and Roll Hall of Fame, festejado dias 29 e 30 de outubro de 2009 no Madison Square Garden, em Nova York, sai agora no Brasil em um DVD triplo levantando uma bola divina. Esta reunião de tiranossauros do rock vale com um tira teima: afinal, a quem o tempo foi generoso e a quem tem sido destruidor? Jerry Lee Lewis não pode mais cantar Great Balls of Fire, ficou provado.

Stevie Wonder não envelhece nunca, precisa ser estudado pela biologia molecular. Com BB King (esse é feito de titânio), toca The Thrill Is Gone. Paul Simon pode se retirar. Não dá mais para vê-lo cantando The Wanderer, embora ao lado de Garfunkel apareça comovente em Bridge Over Troubled Water.

Aretha Franklin será sempre linda e rainha – e lá está ela, com Chain of Fools e Baby I Love You grandiosa em corpo e alma. Bono tem de tomar cuidado, o tempo lhe traz efeitos colaterais. Cada vez mais pessoas o acham chato com essa história de salvar o mundo. Quando aparece ao lado do Black Eyed Peas, o É o Tchan gringo, a coisa degringola. The Edge não pode dividir o palco com Fergie, é bizarro.

Jeff Beck envelhece como a madeira de sua Fender. Cada vinco a mais no rosto aumenta seu poder de criação. Bruce Springsteen dribla o tempo com energia inacreditável. Enfim, ver esse povo vale porque, infelizmente, o jogo já está nos 20 minutos do segundo tempo – para todos eles.

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